Dono de padaria é baleado durante assalto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Cambé A padaria Ki-Legal, movimentado ponto comercial que fica em frente à Catedral de Cambé (13 km a oeste de Londrina), permaneceu com as portas fechadas ontem. Na véspera, o estabelecimento foi palco da ocorrência policial mais grave na cidade em dois meses. Às 21h30, quando a Ki-Legal já estava sendo preparada para o fechamento, um homem com capacete e jaqueta brancos desceu da garupa de uma moto vermelha (Honda Titan) e rendeu o dono da padaria Adão Modos, 51 anos, e duas funcionárias. Não havia clientes na loja.
Segundo a versão das funcionárias, Modos teria dito que não havia dinheiro no caixa. Quando teria se abaixado, em um movimento brusco, o assaltante efetuou o único disparo da ocorrência. A bala atingiu a testa da vítima. O comerciante tombou atrás do balcão, antes de o invasor fugir na garupa da moto, sem levar nada.
O comerciante foi socorrido poucos minutos depois pelo Siate e levado à Santa Casa de Cambé. Como o projétil perfurou a testa e se alojou na lateral do crânio, a vítima foi encaminhada ao Centro de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico, em Londrina. Na tarde de ontem, o hospital informou que o estado de saúde de Modos era estável e que o ferimento provocado pelo disparo não atingiu o cérebro. O paciente estava consciente e tem pouquíssima chance de sofrer alguma sequela.
Foi o quinto assalto à padaria nos últimos dois anos. ''Já roubaram de várias maneiras. A pé, de carro, de bicicleta. Está até comprometendo o nosso negócio. A gente acha que é necessário um policiamento mais ostensivo aqui na praça'', disse o filho da vítima Rogério Modos, de 27 anos.
Ele disse à Folha que estuda três possibilidades para burlar os riscos de assalto. ''Ou pedimos ajuda à polícia, ou fechamos mais cedo, ou então contrataremos segurança'' disse, acrescentando que ''alguma providência tem que ser tomada''.
O crime na Rua França interrompeu um período de rara tranquilidade em Cambé, município que contabilizou 37 homicídio somente em 2004 (passado quase um terço do ano, são 10 homicídios em 2005). A cidade não registrava um crime violento desde 24 de fevereiro, quando foi assassinado o empresário Éverson Luís Hreçay, de 39 anos. ''A situação continua sob controle. Estamos adotando uma estratégia mais agressiva na investigação dos homicídios e isto está coibindo a ação dos criminosos'', interpreta o delegado Valdir Abrahão.
O delegado sustenta com números sua afirmação. De acordo com um recente levantamento feito por Abrahão, metade dos 10 homicídios teve a autoria esclarecida. Em 2004, apenas um terço dos crimes foi desvendado.
Porém, em relação ao número de roubos, Cambé tem o que lamentar. Em 2004, foram 162 roubos, uma média 0,44 ocorrência deste tipo por dia. Em 2005, a média subiu para 0,72. Um aumento de 65%.
A explicação para os números desanimadores talvez esteja relacionada a precariedade na investigação das ocorrências. No papel, a delegacia de Cambé conta com cinco investigadores mas apenas um exerce, de fato, a função. Os outros quatro foram deslocados para cuidar dos presos. Os ''carcereiros'' têm muito trabalho. Cuidam de 100 presos, confinados em um espaço construído para abrigar não mais que 36 homens.


