Dono de madeireira é preso em União da Vitória
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Um proprietário de madeireira foi preso e uma empresa foi lacrada, ontem, no primeiro dia da Operação Angustifolia, uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para coibir o desmatamento e outros crimes ambientais, na região centro-sul do Paraná.
O dono da madeireira foi detido, em União da Vitória, por desobediência e desacato ao impedir a entrada dos agentes na propriedade. Em Bituruna, uma empresa foi lacrada por picar madeira nobre sem autorização. Outras sete infrações ambientais foram observadas no início da operação. Os proprietários foram autuados, receberam multa, tiveram equipamentos interditados e assinaram um termo se comprometendo em não reincidir na infração.
Ao todo, 145 pontos de 14 municípios da região serão alvo da fiscalização. Na operação, batizada em razão do nome científico do pinheiro araucária, 21 equipes irão fiscalizar as propriedades suspeitas com base em imagens de satélite.
Ontem, 223 agentes participaram das primeiras ações. São 80 fiscais do Ibama, 80 policiais federais, 50 do Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde, da Polícia Militar (PM) e 13 técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Uma grande quantidade de viaturas e um helicóptero foram destacados para os trabalhos.
Segundo o chefe da Comunicação Social da PF no Paraná, Marcos Koren, a partir de hoje, devem integrar os trabalhos fiscais do Ministério do Trabalho e da Delegacia Regional do Trabalho para observar irregularidades na exploração de mão-de-obra. A Receita Federal também se prontificou em repassar informações de possíveis infrações fiscais.
"Tínhamos notícias de um descalabro com relação ao desmatamento na região, inclusive de espécies protegidas. Nosso objetivo é coibir a erradiação da araucária, já que hoje o Paraná só tem 8% da sua cobertura original dessa vegetação", explica Koren. Foram mapeados pontos onde se identificou derrubada de árvores, bem como o corte e a queima da madeira. Os trabalhos foram iniciados às 4 horas e não há uma previsão para o término.
De acordo com Koren, certamente haverá mais prisões. Além de autuações, os infratores estão sujeitos a ter suas propriedades e equipamentos lacrados
ou interditados.
Essa é considerada a maior operação já realizada no sul do País nesse sentido. O superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, e o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, devem visitar a região, hoje, para falar sobre os trabalhos.


