Dono de fazenda invadida pede reintegração de posse
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Fábio GalãoReportagem Local 
O proprietário rural Oswaldo Petrilli entra hoje no Fórum de Faxinal (76 km ao sul de Apucarana) com ação de reintegração de posse de uma área de 1,5 mil alqueires da Fazenda Nossa Senhora do Carmo, ocupada por 200 sem-terra na noite de quarta-feira da semana passada.
Segundo o advogado Clóvis Roberto de Paula, a propriedade, de um total de 4,4 mil alqueires, ''é produtiva, já que conta com mais de 1,8 mil cabeças de gado''. ''Na área invadida pelos sem-terra, metade é constituída por mata virgem, com muita mata ciliar, banhada por rios. Trata-se de um local preservado há quarenta anos. Esses trabalhadores vão até enfrentar um problema de questão ambiental se planejam derrubar alguma coisa para plantar'', afirma Clóvis de Paula.
O advogado diz que foi informado por empregados da propriedade de que, desde que chegaram ao local, os sem-terra mataram quatro bois para consumo e estão mantendo em cárcere privado as quinze pessoas que moram na sede da fazenda. ''Pelo que também me disseram, os trabalhadores estão doutrinando os empregados com palestras e aulas'', declara o advogado.
A Polícia Militar de Faxinal afirma desconhecer os fatos relatados por Clóvis de Paula. A Folha telefonou seguidas vezes para a fazenda ontem à tarde, mas ninguém atendeu. Segundo o advogado, Oswaldo Petrilli estava até o início da tarde de ontem em Faxinal e prefere não falar com a imprensa. ''Ele é muito reservado, e, nesta situação, eu fui o primeiro a recomendar que ele não se expusesse'', diz Clóvis de Paula.
O coordenador estadual do Movimento Sem-Terra (MST), Roberto Baggio, informa que o grupo que ocupou a fazenda em Faxinal se separou de um acampamento maior em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). ''Trata-se de uma ação isolada e que não está ligada ao MST. A responsabilidade é toda deles (dos trabalhadores rurais em Faxinal)'', argumenta Baggio, que sustenta que os únicos acampamentos no Estado reconhecidos atualmente pelo MST são o de Ortigueira, um em Foz do Jordão (115 km ao sul de Guarapuava), outro entre Laranjeiras do Sul e Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava) e um quarto na Lapa, na região de Curitiba.
O governador Roberto Requião informou, por meio de sua assessoria, que não pretende tomar providências sobre as ações de trabalhadores rurais no Estado antes de ter acesso a um levantamento completo dos dados dos acampamentos em todo o Paraná.


