Dono alega que não recebeu
Dono alega que não recebeu
O antigo proprietário do terreno, Eliseu Siebert, afirma que vendeu a área porque não teria recebido o dinheiro da desapropriação em 1986. Quando eu vi, (a desapropriação) já estava no Diário Oficial. Nem fui consultado pela prefeitura. Passaram-se todos estes anos e a gente tentou negociar, mas não deu. Quem perdeu muito fui eu, justifica.
Siebert diz que vendeu a área para a família Zungman, proprietária de uma construtora, por cerca de R$ 70 mil. O dinheiro foi usado, segundo ele, para pagar impostos municipais atrasados e outras dívidas. Precisava do dinheiro para pagar contas, assinala. O advogado Zenho Magas, que intermediou a negociação entre Siebert e os Zungman, garante que a transação é legal, apesar do terreno já abrigar o centro escolar.
Magas explica que a construtora da família precisava de potencial construtivo para erguer um prédio com o número de andares acima do permitido em outra área da cidade. Este potencial poderia ser transferido de uma área para outra, menciona o advogado. Ele ressalta que a legislação de imóveis permite este tipo de troca. O que não pode ser construído ali (no caso o terreno onde está o centro escolar), pode ser transferido para outro local, declara. Magas recorda que foi contatado por Saul Zungman, que segundo ele, precisava de uma área desapropriada para conseguir a permissão para construir em outro lugar. Eles (Zungman) nem sabem onde é que fica este terreno pois estavam comprando apenas uma permissão para construir os andares necessários (potencial construtivo) em outro lugar, observa.
A empresa precisava de potencial construtivo para elevar o número de andares do prédio, conforme designado na guia amarela. Uma das soluções era comprar este potencial de terrenos desapropriados que não tinham sido pagos pela prefeitura, reforça Magas. Ele observa que este tipo de negócio é comum. Isso é normal, sempre acontece, assinala. No caso de Eliseu Siebert, Magas diz que a venda foi feita com a anuência da prefeitura.
A reportagem tentou ouvir Saul Zungman a respeito do caso. O empresário não quis se pronunciar. Sobre a minha empresa, quem gere sou eu. Não pretendo ser manchete de jornal, avisou. (D.V.)





