Dona Maria, 70 anos, tem sua primeira casa
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sexta-feira, 18 de março de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Dentro de 10 dias a dona Maria Braulina Matias, perto de completar 70 anos, vai ter pela primeira vez na vida uma casa própria. Moradora do Jardim São Jorge (Zona Norte de Londrina) há sete anos e vivendo autalmente com cerca de R$ 65 mensais, ela é a primeira beneficiada pela parceria do Projeto Onde Moras com a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) para utilização da madeira de árvores condenadas na construção de residências. O barraco onde dona Maria mora começou a ser demolido ontem e, enquanto a casa não é entregue, ela vai ocupar um outro barraco cedido por uma vizinha.
O projeto, coordenado pelo engenheiro civil Maurício Costa, existe desde 1996 e já beneficiou mais de 60 famílias com a construção gratuita de moradias, reaproveitando material de casas condenadas e usando de mão-de-obra de presidiários. A parceria com a Sema, firmada no último final de semana, vai permitir ao programa agilizar a aquisição de parte do material exigido para a construção das residências, utilizando, mais uma vez, o trabalho de detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) na confecção de painéis de madeira, que vão compor as paredes das novas casas.
A casa de dona Maria, de cerca de 40 metros quadrados, será a primeira a ser levantada com os novos painéis. ''Além de poupar tempo na busca por material, o novo sistema vai imprimir velocidade à construção, pois o esquema é semelhante ao de uma casa pré-fabricada. Depois que a alvenaria estiver pronta, é só trazer os painéis e montá-los, o que vai levar cerca de 10 dias no total'', explica Costa.
No entanto, é a parte de alvenaria que vai exigir mais articulação por parte do engenheiro. Segundo Costa, para a casa de dona Maria um empresário da cidade doou o material, além de financiar a mão-de-obra contratada no próprio bairro. A expectativa é de que outros empresários e a própria comunidade participem do processo com novas doações. ''Com a entrega oficial da casa, poderemos estimar os custos da obra e isso vai facilitar a atração de novos interessados em ajudar o projeto'', espera Costa. ''Ainda neste ano a esperança é de que o Ministério das Cidades passe a nos apoiar. Para isso, precisamos de mais casas prontas, o que vai funcionar como argumento de que o programa realmente funciona'', diz.
Alheia à politicagem que o andamento do projeto exige, dona Maria e a filha, a doméstica desempregada Fabiana Matias, aguardam com ansiedade a construção da nova casa. ''Vivemos com cerca de R$ 65,00 mensais do Programa Fome Zero. Nunca imaginava que um dia teria uma casa'', conta Fabiana. Enquanto isso, ela vai esperar no barraco emprestado pela diarista Ivone Ramos da Silva, recentemente beneficiada pelo Onde Moras. ''Ganhei a casa há alguns dias e estou muito, muito contente. Sempre sonhei em ter uma casa, mas minha vida era muito difícil. Agora, é um prazer emprestar meu antigo barraquinho para a dona Maria enquanto ela espera pela casa dela'', diz.
O Jardim São Jorge é o maior beneficiado pelo Onde Moras até o momento. Do total de 63 casas construídas, 21 estão no bairro, que deve receber mais 17 unidades até o final do mês. ''Toda a comunidade fica muito contente. Quem não tinha acesso a uma casa agora está ganhando este direito'', comemora o presidente da asssociação de moradores, Augusto Correr.


