Dona Hedy Wrany, aos 72 anos, toca a empresa com pulso firme
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 1998
Carmem Murara 
Marcelo AlmeidaDona Hedy: Até agora não me aposentei porque não tive tempo. Sinto-me realizadaSer mulher nunca foi empecilho para vencer profissionalmente. É o que mostra a retrospectiva de vida da representante comercial Hedy Lory Wrany, 72 anos, viúva há cinco. Ela trabalha desde os 17 anos e não pensa em parar tão cedo. Questionada se não está na época da aposentadoria, ela fica pensativa, hesita e responde: Até agora não me aposentei, porque não tive tempo para isso. Trabalho demais. À exceção da região Norte do Paraná, Dona Hedy controla de Curitiba toda a representação comercial da Klabin, uma das maiores fábricas de papel e celulose do País.
Em poucos minutos de conversa, é fácil perceber que dona Hedy comanda a empresa com pulso firme. Acorda todos os dias às 7 horas. Trinta minutos depois já está no escritório, que fica junto à sua casa. Passa o dia controlando todos os pedidos dos seus 20 clientes. Hoje mesmo tive que brigar com um deles por telefone, conta.
Dona Hedy não tem fim de semana e confessa que gosta de trabalhar à noite, às vezes até as 23 horas, quando fica mais tranquila. Para ela, trabalhar é fundamental. Sinto-me realizada, diz. Gosta tanto da atividade profissional, que tirou apenas um mês de férias desde 1967. Foram dez dias para uma viagem ao Chile e outros 15 dias no Nordeste, além de alguns finais de semanas e feriados prolongados. Agora quero ver se consigo voltar ao Chile para fazer uma viagem de carro, conta entusiasmada, após revelar que dispensou um pacote turístico para a Europa, que ganhou do filho. Ela preferiu ir para Guarapuava participar do encontro estadual do Conselho das Senhoras Executivas. O tour europeu ficou adiado por tempo indeterminado.
Hedy Wrany garante que em 54 anos de vida profissional nunca sofreu discriminação por ser mulher. Teve uma vez que um amigo de meu filho disse que era melhor ter uma secretária jovem no escritório, ocupando meu lugar. Mas logo ele percebeu que eu tinha mais experiência, relembrou.
A representante comercial passou a vida vencendo desafios. Nascida em Santa Maria (RS), ela trabalhou na Souza Cruz, na Neugebauer e na Embaixada dos Estados Unidos. Foi ainda professora de inglês, sua atividade preferida. Além do inglês, fala alemão.
Nem os computadores, terror da geração desplugada, escapam de dona Hedy. Ela admite odiar a máquina, mas já convocou o filho Guilherme para ensiná-la. Não tem jeito, vou aprender, custe o que custar. Para as mulheres que hesitam em trabalhar ela dá um recado: Se valorizem e façam tudo com tempero, que se chama amor.


