Érika Pelegrino
De Londrina
Da porta de sua casa, dona Benedita Gonçalves, 46 anos, mais conhecida como Dita, vê todos os dias carroceiros que levam lixo para um destino certo: o final da Rua Sampaio Vidal. O trecho não é asfaltado, mas já foi uma rua que servia de acesso à BR-369 e hoje está tomado pelo lixo. ‘‘É gente de toda parte que vem jogar lixo aqui’’, afirma dona Dita.
Não que ela fique apenas ‘‘assistindo de camarote’’ o local ser transformado em um lixão. Dona Dita não é mulher de ficar passivamente olhando a vida passar. Principalmente quando o que está em jogo é o bem-estar da comunidade e do bairro onde ela vive há mais de 40 anos.
Ainda menina, com cinco anos, mudou-se de Joaquim Távora (PR) com a família para a Rua Tapajós, na Vila Casoni (zona leste) em Londrina. Não saiu mais de lá até se casar, mas logo voltou. ‘‘Sempre vivi aqui. Da Rua Tapajós, mudamos para a Rua Tabajara, depois para a Tinguis. Depois moramos um tempo no bairro Santa Terezinha e na Vila Iara, ambos aqui nas proximidades’’, conta.
Quando casou-se, dona Dita voltou para a Vila Casoni e ficou morando sete anos na Rua Moçambique. Há 22 anos mora no mesmo endereço na Rua Madeira. Ver uma destas ruas transformar-se em depósito de lixo deixa dona Dita indignada. Afinal, ela considera cada uma das ruas da Vila Casoni como uma extensão de sua casa.
Foi neste bairro que ela passou a infância, criou as duas filhas e também ajudou a trazer melhorias. Começou a se envolver com os problemas do lugar e a buscar soluções, primeiro trabalhando na igreja. Em seguida, junto com o marido, fundou a associação de moradores.
Enquanto educava as filhas e as via crescer, também cuidava do bairro, de seus problemas. Há 12 anos ela e o marido fazem parte da associação de moradores da Vila Casoni. ‘‘Vi este lugar crescer e melhorar, ajudei a trazer agência de banco, a conseguir o 2º grau para a escola, mas ainda é preciso melhorar muitas coisas’’, afirma.
Com as filhas já criadas – uma é formada em Administração de Empresas e a outra está prestando vestibular para Ciências Contábeis – dona Dita tem mais tempo para dedicar-se ao bairro, que, segundo ela, ainda tem muito que crescer.
Seu maior sonho é justamente conseguir mais melhorias. ‘‘Ver a Vila Casoni limpa, sem lixo me deixaria muito feliz’’, afirma. E ela garante que ainda vai conseguir ver o trecho da Sampaio Vidal, que hoje serve de depósito de lixo, asfaltado, para acabar de vez com o problema.‘‘É gente de toda parte que vem jogar lixo aqui’’, reclama moradora antiga do bairro, em referência a um trecho sem asfalto da Rua Sampaio Vidal
Mário CesarAMOR PELO BAIRRODona Benedita Gonçalves mora há mais de quatro décadas na Vila Casoni, mudando de uma rua para outra do bairro

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