Dona-de-casa tenta provar que marido não era ladrão de carro
Albari RosaMarido de dona Jaira foi morto por PMs quando voltava do futebolDesde que seu marido foi morto por um policial militar em fevereiro do ano passado, a dona-de-casa Jaira Poli tem recolhido documentos e assinaturas que provem que José Carlos não era bandido nem ladrão de carro, como a polícia alegou na época para justificar os tiros dados na perna e na barriga do segurança, que voltava de um jogo de futebol. Junto com os amigos, que comemoravam em um bar a vitória do time, José Carlos voltava para casa quando provavelmente se apoiou em um carro. O soldado Carlos Alberto Leite Possebon disparou os tiros, alegando que o segurança, que sequer sabia dirigir, estava tentando roubar o veículo.
Passados 52 dias de internação na UTI e nove cirurgias, Poli morreu. Jaira, que deu a luz à menina Adrielle dez dias depois do marido ter sido hospitalizado, diz que teve de pagar R$ 50,00 para que os policiais militares saíssem da porta do hospital. Ele diziam que meu marido era bandido e que só sairiam dali se recebessem algum dinheiro, conta. Segundo Jaira, o depósito foi feito em uma conta do Banestado e foi suficiente para acalmar os policiais.
O soldado que cometeu o crime responde hoje a uma ação penal e deverá ser interrogado nesta semana. Apesar das testemunhas, que confirmaram os disparos, Carlos Alberto Leite Possebon continua em serviço no 13º Batalhão da PM. Quero justiça. A morte do meu marido não pode ter acabado com um depósito bancário, diz Jaira. (C.P.)





