Maurício Borges
Enviado a Arapongas
Os últimos seis meses têm sido um martírio para a dona de casa de Arapongas (35 km a oeste de Londrina), Zuleika Pasqualino, 36 anos, que sofre de obesidade mórbida. Ela não consegue andar e nem ao menos ficar sentada, permanecendo o tempo todo deitada numa cama. Com peso estimado em 200 quilos para uma altura de 1,55 metro, Zuleika depende do marido, José Ricardo dos Santos, 39 anos, para tudo, inclusive para alimentar-se e fazer a higiene do corpo.
Ela tem quatro filhos menores — o mais novo com um ano — e morava no Mato Grosso do Sul. Em janeiro, devido ao agravamento de seu estado de saúde, resolveu voltar para perto dos familiares, em Arapongas. Na viagem ao Paraná, a família precisou da ajuda de homens do Corpo de Bombeiros. ‘‘Foi muito difícil tirá-la da cama e conseguir transportá-la para cᒒ, contou José Ricardo. Ele explica que, devido à situação da esposa, deixou de trabalhar como operador de máquinas.
A dona de casa disse que o excesso de peso provoca dificuldades para respirar e a deixa deprimida. ‘‘Quando estou nervosa, acho que tenho compulsão por comer. Parece que o estômago sempre quer mais’’, explicou Zuleika. Ela está pedindo ajuda de médicos especialistas para emagrecer e voltar a ter uma vida normal.
A família, que é de baixa renda, está morando junto com a mãe de Zuleika numa casa de apenas dois cômodos, no Jardim Primavera. Desempregado e o dia todo cuidando da esposa e de afazeres domésticos, José Ricardo e família estão sobrevivendo com a ajuda de donativos de igrejas e do Centro Social Urbano de Arapongas.
A pedido da Folha e da TV Tibagi (SBT), o médico Daoud Nasser, de Maringá, especialista em cirurgia de obesidade mórbida, avaliou Zuleika. Nasser disse que há solução. ‘‘O diagnóstico indica mesmo a necessidade de uma cirurgia de redução de estômago, mas primeiro ela precisará passar por uma avaliação clínica e todo um processo de preparação, inclusive acompanhamento psicológico’’.
O médico revelou que Zuleika terá que emagrecer para adquirir mais capacidade pulmonar, reduzido os riscos da cirurgia. Segundo ele, se Zuleika não passar por um tratamento e cirurgia, o problema irá agravar-se gradativamente, aumentando na mesma proporção os riscos de vida, principalmente através de hipertensão e doenças cardíacas.
De acordo com Daoud Nasser, a redução do estômago, nestes casos, dá à pessoa uma sensação de saciedade com uma pequena quantidade de alimento. ‘‘Assim, o obeso emagrece gradativamente, sem riscos.’’Com 1,55 metro de altura e pesando
quase 200 quilos, Zuleika Pasqualino, de
Arapongas, não consegue se mover há seis meses
Odair StraliottFAMÍLIA POBREZuleika passa os dias imóvel numa cama, dependendo do marido José Ricardo para tudo; para tomar conta da esposa e dos quatro filhos menores, ele teve que parar de trabalhar; a família sobrevive com a ajuda de parentes

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