Dona de casa que denunciou falso estupro será indiciada
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Andrea Vendramini 
A dona de casa Maria Iglaci Vieria, de 34 anos, foi indiciada em inquérito policial por denúncia caluniosa e, se for condenada, poderá ser punida com prisão de dois a quatro anos. Na madrugada do dia 16, ela procurou a Polícia Militar, que a conduziu à Delegacia da Mulher, para denunciar ter sido vítima de estupro, crime que, segundo ela, teria sido cometido pelo tratador de cavalos Bento Martins Neto, de 26 anos.
A delegada Darli Rafael, titular da Delegacia da Mulher, explica que Maria Iglaci cometeu crime de adultério contra o marido, acusou falsamente uma pessoa por crime hediondo e mobilizou a estrutura policial sem necessidade. Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Instituto Médico legal (IML), ao qual foi conduzida para ser submetida a exames para comprovar a conjunção carnal, trabalharam a noite inteira, até que os fatos fossem esclarecidos, conta.
A denúncia tomaria rumo diferente durante os depoimentos de Maria. Várias contradições relatadas pela dona de casa no flagrante fizeram a delegada concluir que não houve crime, mas sim uma relação sexual consentida. Ela insistiu na mentira e somente por volta das 6 horas da manhã reconheceu que tinha bebido com o acusado e que não foi forçada a relacionar-se sexualmente com ele, disse a delegada.
De acordo com Bento Martins Neto, a acusação contra ele teria sido motivada por vingança, porque ele se negou a dar R$ 50,00 para Maria Iglaci após a relação sexual. A delegada criticou a atitude irresponsável da dona de casa. A polícia está disponível para servir qualquer cidadão, mas não pode ser deslocada para atender caprichos ou ser manipulada e usada indevidamente, afirma Darli Rafael.


