Dona de casa luta por indenização
Sid Sauer

Simone GirotoAparecida Maria: braço amputado e luta de 8 anos por indenizaçãoA dona de casa Aparecida Maria Alencar Duarte, 44 anos, era costureira até 1990, quando teve que fazer uma operação para a implantação de duas pontes de safena. Depois que saiu do hospital, no entanto, ela nunca mais pôde costurar. Aparecida perdeu o braço esquerdo durante a cirurgia. ‘‘Fui anestesiada e quanto acordei estava sem o braço’’, conta. ‘‘Falaram que deu trombose, mas ninguém autorizou a amputação’’.
Aparecida, que é de Campo Mourão, estava sozinha em Curitiba quando foi operada. Ela diz que chegou a ficar em estado de choque quando acordou e percebeu que seu braço havia sido cortado. Na época, ela entrou com uma ação na Justiça, mas o resultado só saiu na semana passada e, ainda assim, deu ganho de causa ao hospital.
Viúva há 18 anos, Aparecida sobrevive com uma pensão de um salário mínimo. As três máquinas de costura foram vendidas para a compra de medicamentos. Sem o dinheiro extra das costuras, ela vive num pequeno e antigo bar que pertence à sua mãe e que foi transformado numa casa improvisada. Há goteiras por todos os lados e as rachaduras por todas as paredes.
A ex-costureira alega que precisa de ajuda porque ficou inválida. ‘‘Se eu não pudesse apenas costurar, poderia trabalhar como zeladora ou doméstica, mas como vou fazer esses serviços sem um braço?’’

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