Dona de casa ganhará nova prótese
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de março de 2004
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Está chegando ao fim o drama da dona de casa Entenesca Ribeiro, 73 anos, que convive há mais de um ano com as dores provocadas pelo desprendimento de uma prótese colocada em seu joelho direito. A única solução para o problema é a troca da prótese. O problema é que o local sofreu um desgaste, o que exige a utilização de um material chamado tecido músculo-esquelético, também conhecido como pó-de-osso extraído de ossos doados e utilizado para sedimentar a prótese no joelho. O material será repassado pelo Banco de Ossos do Hospital de Clínicas de Curitiba ao Hospital Universitário de Londrina (HU) assim que a paciente for internada.
Em algumas horas, principalmente durante as noites quando não conseguia dormir, a dona de casa chegou a duvidar que uma nova prótese seria colocada em sua perna. ''É muito sofrimento. Tomara que marquem logo essa cirurgia e isso acabe'', declarou Entenesca, que passará por uma cirurgia de troca de prótese pela segunda vez. Ela lembrou dos momentos difíceis enfrentados, em abril de 2003, quando permaneceu internada 15 dias no Hospital Universitário (HU), esperando pela cirurgia. O procedimento não foi realizado pois faltava o tecido músculo-esquelético.
A assessoria de imprensa do HU confirmou que todos os procedimentos burocráticos para realização do transplante já foram superados. A direção do hospital aguarda, somente, a liberação de uma vaga. A cirurgia deverá ser comandada pelo ortopedista Plinio Montemor, o mesmo que colocou as próteses anteriores no joelho da paciente e que a acompanha desde o surgimento do problema.
O ortopedista explicou que, como Entenesca, outros pacientes esperam pela troca da prótese, que será feito somente com o envio de outra remessa de pó-de-osso. Ele frisou a importância da doação para o benefício de portadores de doenças, como tumores ósseos e nas reconstruções de ligamentos.
O transplante só foi viabilizado por causa de uma parceria entre a Central Regional Norte de Transplantes e o Banco de Ossos do Hospital de Clínicas de Curitiba. A parceria prevê que toda captação de ossos realizada na área de atuação da Central será revertida em benefício de pacientes que moram na macrorregião atendida pela mesma.
A coordenadora da Central de Transplantes, Ogle Beatriz Bacchi de Souza, disse que existe um temor muito grande por parte de familiares de que o corpo do doador fique mutilado. Ela esclareceu que isso não ocorre porque no lugar do osso é colocado um material sintético.
O diretor-médico do Bancos de Ossos do HC, Paulo Alencar, observou que existe muita desinformação em relação à doação de ossos, por isso o número não atinge a demanda esperada. Ele acrescentou que deveriam ser realizadas cerca de dez doações por mês para atender o número de pessoas que aguardam na fila de espera por um transplante, porém a média é de somente uma doação mensal.


