A dona de casa Amarilda Costa, 33 anos, quatro filhos, nunca imaginou que um dia sairia às ruas para protestar. ‘‘Sempre fui tímida e medrosa’’, confessa. Casada há 18 anos com um soldado da Polícia Militar, ela conta que só aderiu ao movimento porque a situação chegou ao limite. A família sobrevive com um ganho bruto mensal de R$ 730,00.
‘‘A gente vive de empréstimos, termina um começa outro’’, relata. O que salva o orçamento mensal da família são os ‘‘bicos’’, como segurança ou vigia, que o marido faz regularmente.
Tal rotina, entretanto, acaba tirando totalmente o soldado do convívio familiar. ‘‘Há anos estou sempre sozinha em casa, com meus filhos, à noite. Se um deles fica doente, tenho que pedir para um vizinho nos levar ao hospital, porque eu não conto com o meu marido. Quem conta com ele é a população. Nossa família fica à mercê dos bandidos e da violência’’, desabafa. A família mora numa pequena casa própria em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Os filhos têm 16, 14, seis e três anos.
Na opinião de Amarilda, o salário que o marido recebe não é digno dos riscos que corre diariamente como policial. ‘‘Quando ele coloca os pés para fora do portão de casa eu já começo a temer pela sua segurança, pois se ele está fardado, é militar, tem a obrigação de enfrentar qualquer perigo para proteger as pessoas’’.
Este e outros fatores fizeram com que a dona de casa decidisse aderir ao movimento. Ela soube pelo rádio que as mulheres de outros policiais militares estavam na rua. ‘‘Quando ouvi a notícia, eu pensei que tinha que entrar nessa luta e fui pra lá na hora’’.
Há três dias fora de casa, e pela primeira vez tanto tempo longe dos filhos, ela garante que não se arrependeu de sua decisão, mesmo sem saber ainda se todo o esforço terá resultados concretos. ‘‘Eu sei que estou fazendo a minha parte e acho que já foi uma vitória a união que as mulheres mostraram aqui’’, afirma.

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