A Polícia Civil de Sarandi (7 km a leste de Maringá) prendeu ontem, em flagrante, a dona de casa Maria José Leite, 39 anos, acusada de manter em cárcere privado, desde fevereiro, o companheiro Ecedir Almeida Bueno, 51. Ecedir foi encontrado pelos policiais trancado dentro de um quarto sem iluminação e ventilação. Nos últimos meses, ele saiu apenas quatro vezes para receber o seguro-desemprego. O dinheiro era sempre entregue para Maria José.
Segundo o delegado José Maurício de Lima Sobrinho, a situação de Ecedir chamou a atenção pelo estado ‘‘deplorável’’ em que foi encontrado. ‘‘Vamos encaminhá-lo para um hospital porque ele está muito debilitado’’, disse o delegado.
A polícia descobriu o caso graças a denúncia feita por vizinhos que há tempos não viam mais Ecedir. ‘‘Os vizinhos eram acostumados a vê-lo, algumas vezes até apanhando de Maria Jos钒, contou Lima. No momento da prisão, Maria José negou o crime e ainda agrediu o companheiro na frente dos policiais.
Ecedir não tomava banho e era obrigado a fazer as necessidades no próprio quarto. Para contornar a falta de banheiro, ele retirou de um canto do quarto uma parte do assoalho de madeira. ‘‘O mau cheiro do local já estava insuportável e ajudou a chamar ainda mais a atenção dos vizinhos’’, lembrou o delegado.
Conforme Lima, assim que chegou na delegacia, Ecedir foi levado pelos policiais para tomar um banho e receber comida. ‘‘É impressionante ver um ser humano nesta situação’’, completou o delegado.
Além de manter em cárcere privado, a companheira também negava comida e água. Nas poucas vezes em que se alimentava, segundo Ecedir, o prato era colocado por Maria José no chão do quarto. ‘‘Nos últimos dias ela (Maria José) não me dava mais nem água’’, contou Ecedir à Folha. Ele disse que era constantemente ameaçado por Maria José. ‘‘Ela vivia dizendo que qualquer atitude que eu tomasse contra ela seria eu quem iria parar na cadeia’’, argumentou Ecedir.
O delegado acredita que Ecedir era mantido em cárcere privado porque Maria José queria garantir o dinheiro de uma indenização trabalhista em favor do desempregado. Ecedir e Maria José viviam juntos há mais de quatro anos em uma casa localizada no Jardim Primaverão, zona sul de Sarandi. Conforme Ecedir, nos últimos dois anos Maria José se mostrou mais violenta e batia nele constantemente com uma pá de ferro e cabo de vassoura.
Maria José foi presa e autuada em flagrante por cárcere privado. O delegado a enquadrou na pena mais pesada do crime previsto no artigo 148 do Código Penal que aplica prisão de dois a oito anos quando a vítima é submetida a maus-tratos e ‘‘grave sofrimento físico e moral’’.

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