Depois de três meses enfrentando dores nas pernas, a dona de casa Nair Ana Ferreira Braga, 68 anos, rendeu-se aos chás para tentar se curar. Durante 15 dias, ela tomou uma infusão de ervas indicadas por um padre e compradas em um raizeiro, comerciante especializado na venda de produtos naturais. ‘‘Não estava nem conseguindo andar e agora já voltei a entregar cestas com os vicentinos. As plantas foram excelentes. Também comecei uma dieta sem frituras, massas e carnes, estou me sentindo bem melhor’’, contou.
Pessoas como Nair formam a freguesia de Paulo Bernardino de Melo, raizeiro há 38 anos. Autodidata, ele aprendeu sozinho a arte de curar com plantas, visitando tribos de índios e se embrenhando nos matos do Brasil. ‘‘No início eu vendia os produtos nas praças, encantando cobras e lagartos para atrair a atenção dos fregueses. Mas aí o Ibama me tirou os animais e resolvi me estabelecer em Londrina’’, relatou.
Na loja localizada no centro da cidade, ele vende cerca de 1.450 ervas, mas conta que o produto mais procurado é o ‘‘viagra’’, panacéia de nove plantas destinada a curar impotência. ‘‘O efeito é comprovado’’, garante o raizeiro, que nunca sugere o abandono do tratamento médico aos clientes.
O agrônomo Guilherme Casanova ressalta, porém, que as garrafadas (misturas de várias plantas) nem sempre são eficientes. ‘‘A concentração de algumas ervas pode anular os efeitos de outras’’. (C.A.)

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