A dona-de-casa Rosely de Oliveira Santos, 35 anos, está acusando a Polícia Civil de Londrina por abuso de poder. Ela reclama que, na última segunda-feira à tarde, policiais civis estiveram na casa dela e, sem mandato de busca, reviraram todos os cômodos, além de intimidar os filhos menores. Rosely diz que ela não estava em casa e, segundo as crianças, os policiais acreditavam que a família estava escondendo assaltantes. A família mora na rua Sérgio Luiz Alves, 94, jardim Alto da Boa Vista 1 (zona norte).
O marido de Rosely Santos, Claudevi Ribeiro Santos, 35 anos, cumpre pena de um ano e seis meses em Curitiba por receptação - é a segunda vez que ele é preso pelo mesmo motivo. A dona-de-casa reclama que as crianças ficaram muito assustadas com a ação da polícia.
A filha mais velha de Rosely, Fernanda, de 13 anos, diz que os policiais entraram na casa perguntando: ‘‘Cadê os caras?’’. Ela conta que eles reviraram a casa inteira, inclusive a mala e a mochila do irmão de Rosely, o pedreiro Flávio de Oliveira, 37 anos, que está passando uns dias na casa da irmã. ‘‘Eu durmo pelo menos três noites da semana aqui, para não deixá-los sozinhos’’, justifica Flávio.
A dona-de-casa reclama que os policiais levaram dois revólveres de brinquedo que pertencem ao filho Patrick, de 10 anos. Além de Fernanda e Patrick, estavam na casa, na segunda-feira à tarde, o filho menor de Rosely, Júnior, de 8 anos.
Rosely e a família estão revoltados com a atitude dos policiais civis. De acordo com a dona-de-casa, não é a primeira vez que isso acontece. Ela explica que o problema começou em abril deste ano, quando o marido foi pego pela polícia dirigindo uma moto roubada. ‘‘Ele não sabia que era roubada e tinha emprestado de um amigo para fazer um serviço.’’ A mulher garante que ele trabalha como serralheiro e mostra a oficina instalada na frente da casa.
Segundo a dona-de-casa, Claudevi foi liberado em seguida, mas depois de um mês, dois policiais civis - ela identifica apenas um deles, chamado Hamilton - estiveram na casa e a pressionaram a entregar uma motocicleta Jog para não prenderem o marido. Negócio fechado, ela conta que em maio, policiais civis, acompanhados de militares, estiveram na casa e prenderam Claudevi. Rosely os acusa de levar também aparelhos de televisão e videocassete, relógios, bijuterias, máquina fotográfica, toca-fitas de carro, dinheiro e até bonés dos filhos. ‘‘O soldado Tobias, que revirou meu quarto, levou R$ 1.600,00’’, acusa. A mulher diz que conseguiu recuperar apenas a TV e o videocassete.
Rosely comenta que depois que as ‘‘visitas’’ dos policiais à sua casa começaram, ela tem receio de deixar os filhos sozinhos para trabalhar como diarista ou vendedora de roupas. ‘‘As latas de comida estão vazias e o telefone ficou cortado porque eu não paguei’’, queixa-se. Flávio de Oliveira conta que teve de vender a Kombi e algumas ferramentas do cunhado para pagar as despesas da família.
Zumira Duarte de Oliveira, 54 anos, mãe de Rosely, avisa: ‘‘Se acontecer alguma coisa com a minha filha, a culpa é da polícia. Porque ela é uma menina boa, que não tem inimigos’’. A dona-de-casa iria ontem à tarde à 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP), acompanhada de um advogado, para registrar queixa contra os policiais civis que estiveram na sua casa, na segunda-feira.
O delegado-chefe da 10ª SDP, Leonyl Ribeiro, disse ontem à Folha que está fazendo levantamento das prisões e mandados de buscas e apreensão ocorridos na época que ocorreu o fato. Ele disse que ainda não pode afirmar em definitivo, mas tem quase certeza que a invasão da casa da denunciante foi feita por intermédio de uma ordem judicial. O delegado diz que mandou investigar as denúncias de Rosely Santos, sobre a possível extorsão e os furtos que teriam sido praticados por policiais. O delegado prometeu: ‘‘Vamos chegar à verdade e, se houver culpado, ele será responsabilizado. Não vamos mais aceitar truculências e abusos de policiais.’’

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