Imagem ilustrativa da imagem Dona de casa de 77 anos pratica crossfit em Londrina
| Foto: Marcos Zanutto

"Existem muitos lugares para praticar exercícios. Idade não pode ser impedimento para ninguém”, afirma Eunice da Silva Morgado

“Tenho 77 anos, mas no começo de junho já chego aos 78”, deixa claro a dona de casa Eunice da Silva Morgado. No “auge” da terceira idade, não faz questão de esconder as décadas vividas e nem as muitas atividades que a faz ter uma rotina ativa. Cinco vezes por semana tem aulas de crossfit, treinamento que une levantamento de peso olímpico, ginástica, atletismo, entre outras modalidades de alta intensidade. As práticas são adaptadas, mas nem de longe são fáceis.

Estão inclusos em seus treinos exercícios como subida em corda, agachamento com peso, barra e argolas, que servem para melhorar o condicionamento e resistência. “Para a coluna é muito bom. Desde de criança, quando trabalhava na roça, sinto dores que começam na coluna e vão até o músculo da perna. Quando faço crossfit me sinto melhor. É como se passasse tudo”, resume. “Fui uma vez ao médico para saber dessa dor e ele disse que era desgaste nos ossos e que deveria ficar mais parada. Não segui nada disso, fui em busca de 'mexer o corpo”, acrescenta.

Morgado está nas aulas de crossfit há cerca de um ano e meio, quando um dos filhos comprou uma academia. Já o gosto por estar em movimento é de quase duas décadas. “Tinha uns 60 anos e entrei na academia. Desde então não parei mais. Ao fazer atividades saio da rotina e neste que estou agora tem novidade, exercícios diferentes”, destaca. “Tem mulher muito mais nova que eu e só quer saber de ficar dentro de casa. Não pode, não. E tem pessoa de idade que às vezes o filho fica com medo de deixar ela andar sozinha, sempre a carregando. Se está lúcida, tem que permitir ir sem depender de ninguém”, aconselha.

Imagem ilustrativa da imagem Dona de casa de 77 anos pratica crossfit em Londrina

SEM IMPEDIMENTOS
Mãe de quatro filhos e avó de cinco netos, também faz questão de manter sua independência quando viaja para visitar os irmãos, em São Paulo. “Vou lá, pego trem, metrô. Ando por tudo na cidade para conhecer”, conta. Moradora do conjunto Sebastião de Melo, na zona norte de Londrina, todos os dias precisa embarcar em três ônibus para conseguir chegar à academia que frequenta, situada na região central. O início dos treinos é as 16h, com duração de uma hora. Sempre costuma chegar com antecedência para evitar perder a aula e para colocar a conversa em dia com os colegas.

Imagem ilustrativa da imagem Dona de casa de 77 anos pratica crossfit em Londrina
| Foto: Marcos Zanutto

Treinamento é de alta intensidade; atividades são adaptadas, mas nem de longe são fáceis

“Vejo gente nova, faço amizades e tudo isso é muito bacana. Tem dia que dá preguiça, mas o pior é ficar dentro de casa, porque só vai querer deitar. Então venho, dou risada, cuido da minha saúde. Às vezes chamo alguma colega para fazer atividade física e ela fala que não vai porque está velha. Não tem nada disso, pois só é velho quem quer se sentir assim. Hoje em dia existem muitos lugares para praticar exercícios. Idade não pode ser impedimento para ninguém”, opina.

DANÇA E VAIDADE
Outra paixão é a dança, que consegue desenvolver no CCI (Centro de Convivência do Idoso) da zona norte. Entre os ritmos preferidos estão vanerão, valsa e xote. “Gosto muito de música e de dançar, mas principalmente com som ao vivo. Parece que quando tem alguém tocando fica mais animado. No centro de convivência só estão colocando CD ultimamente. Por conta disso parei de ir por um tempo. Já reclamei isso com eles”, relata.

Entre uma atividade e outra e as demandas de casa, onde vive sozinha, a aposentada procura tratar da aparência - usa maquiagem, não descuida do cabelo e da pele. “Temos que ser vaidosos, cuidar de nós. Vejo muitas pessoas da terceira idade desleixadas, não se importando com a aparência. Não é porque está velho que tem que abandonar o cuidado”, adverte.

O exemplo de vitalidade de Morgado a fez ser uma das personagens da Unimed em campanha sobre saúde e bem-estar da cooperativa no mês de abril. Para o futuro, ela espera continuar aproveitando o que a vida dispõe. “Queria viver eternamente, mas não tem jeito. Então, quero seguir o que faço até quando puder”, brinca.

mockup