Dona-de-casa cuida do marido e do filho
A telefonista Vera Lúcia Vick dos Santos, de 28 anos, mudou a trajetória de uma vida condenada ao abandono. Criada junto com a irmã no Lar Anália Franco, a deficiente intelectual que atualmente trabalha na Apae enfrentou as limitações e hoje leva uma vida autônoma com a família, composta pelo marido Marcos - que trabalha como ajudante de padeiro - e o filho João Vítor, 6.
Com ajuda da irmã e da família do marido, ela aprendeu a cuidar da casa, do filho e a conciliar a rotina de dona-de-casa com a de mulher trabalhadora. ''No começo foi difícil, mas consegui aprender'', conta ela.
Consciente das próprias limitações, ela acredita que, se não tivesse se casado, continuaria no lar até o fim da vida. Sobre a velhice, espera ser amparada pelo filho quando não puder mais se virar sozinha. ''Hoje, eu cuido dele. Depois, o normal será ele cuidar de mim.''
Aos 68 anos, a dona-de-casa Noêmia dos Santos conta apenas com a boa saúde para cuidar do filho Josias, um deficiente intelectual de 48 anos. Mãe de outros três filhos - um deles já morto -, ela não faz idéia de como será a vida do primogênito quando não estiver mais viva. ''Ele tem aposentadoria, com certeza alguém vai querer cuidar'', diz ela, que é responsável também pelo marido de 78 anos que sofre do mal de Alzheimer.
Josias frequenta o Ilece e, segundo a mãe, ''é dedicado e prestimoso''. Assim como muitas famílias que começam a vivenciar o envelhecimento dos deficientes, Noêmia nunca conversou com os outros filhos sobre a possibilidade de cuidarem do irmão. ''É mais fácil ele ficar em alguma instituição'', afirma, sem saber que em Londrina não há instituições capazes de acolher pessoas como Josias quando ela não estiver mais presente. (C.A.)





