‘‘Espero que este ano a minha vida mude para melhor e que tudo dê certo com meu amor. Boa noite. 1º de janeiro de 1996’’. Assim Luciana Duarte Filho, 22 anos, deu início ao seu diário escrito em uma agenda. A moça foi morta na sexta-feira à noite pelo seu companheiro, Rubens Mendes de Queiroz, depois que ela se negou a voltar a morar com ele. Em seu diário, Luciana previa sua morte. O crime aconteceu na casa do tio da vítima, Rubens Gomes da Silva, onde ela foi morar. Luciana tentava fugir dos espancamentos que sofria do companheiro. O diário foi entregue anteontem pela família de Luciana ao delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antônio de Melo, que preside o inquérito do homicídio.
No diário Luciana relata seu drama e a esperança de um dia viver feliz com Yuri, o filho que teve com Rubens Queiroz. Seus relatos não obedecem uma cronologia. Parece ter sido escrito em épocas em que Luciana se sentia desesperada e em outras menos infelizes. Em 3 de julho de 1996 ela escreveu: ‘‘Resolvi tirar uma dúvida. Sinto algo dentro de mim. Estou grávida’’. Com ternura, ela finaliza a descoberta da gravidez: ‘‘Eu te amo, Rubens’’. Na página seguinte ela conta que apanhou do companheiro. ‘‘Ele me bateu até eu perder os sentidos. Não deixou eu sair de casa. Meu corpo está totalmente marcado. Sinto vergonha de mim mesma’’.
Cada página descreve situações incríveis, inclusive denunciando que seu amante estaria envolvido com drogas. Em todos os momentos, ela demonstrava pensar somente em seu filho Yuri e que não acreditava que pudesse criá-lo junto com Rubens. Luciana deixa de escrever o diário em 1996 e somente volta a registrar sua vida em 1998, a menos de um mês de sua morte. Ela abre a página seguinte mostrando-se otimista e receosa. ‘‘Sei que se ele não vai me matar; eu vou sair desta. Tenho que viver para criar o meu Yuri’’.
No dia 7 deste mês, no alto da página ela escreveu: ‘‘Lembre-se disso’’. Na sequência conta que Rubens tentou matá-la e depois falou que gostava dela. No pé da página, se questiona: ‘‘Fico pensando... Até quando vou viver assim. Não ligo mais e não aguento mais viver assim.’’ Oito dias antes de morrer, ela escreveu, analisando seu parceiro. ‘‘Rubens é muito engraçado... Ele sabe que me domina pela força, por isto faz estas coisas comigo. Hoje ele me bateu até eu sangrar pela boca.’’
Ela foi morta cinco dias depois. O tio da vítima contou que antes de matá-la Rubens tentou persuadi-la a voltar a viver com ele. Diante da negativa, desferiu cinco tiros. Rubens está foragido e está com sua prisão preventiva decretada.

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