Dona de bom humor apesar do convívio com a tragédia
Najua Diba veio pela última vez ao Brasil em dezembro do ano passado, antes da Otan iniciar os bombardeios na Iugoslávia. Como faz todas as vezes em que visita Londrina, Najua se hospedou na casa da amiga Laine Araújo Ribeiro, do Conselho de Missões da Igreja Presbiteriana Independente. Há vários anos Laine acompanha de perto a trajetória da missionária na Albânia. Ela conta que Najua, apesar de conviver com a tragédia, consegue manter a alegria de viver e um bom humor permanente. Nesta sua última viagem, o que Najua mais lamentava era o agravamento da miséria da população da Albânia, a nação mais pobre da Europa, diz.
Laine lembra do reflexo quase instintivo de Najua, num dia em que faziam almoço. Estávamos na cozinha de minha casa e eu cortava um frango e separava as peles, pelancas e gorduras. Najua estava ao meu lado. Quando eu ia jogar aqueles restos no lixo, ela levou um susto, conta. Najua juntou as mãos em concha, pegou a pele e as gorduras do frango e disse: Na Albânia, essa pouca carne serviria para alimentar uma família inteira.
Inconformada com o desperdício, Najua disse que faria para Laine a sopa que os albaneses comem quase todos os dias. Ela ainda olhou para mim e disse: Fique tranquila, você vai gostar. Então Najua misturou arroz cozido, as peles de frango temperadas, limão e ovo e serviu no jantar. Fiquei chocada, claro, porque ela não estava falando do alimento das camadas muito pobres da população albanesa. Aquele sopa é o alimento diário de quase todos os albaneses. E isso porque lá, simplesmente, não existe comida. Se isso já acontecia antes da guerra, imagine agora, lamenta. (P.S.M. e A.C.)





