A proprietária da Fazenda Dois Córregos, em Querência do Norte (103 quilômetros de Paranavaí), Daisy Prochet Sandreschi, não pretende negociar a área com o Incra. Ela disse ontem à Folha que não foi procurada nem pelos trabalhadores sem-terra, e nem por representantes do Incra para negociar. ‘‘Não tenho a intenção de vender a propriedade que é produtiva e tem a reintegração de posse há oito meses.’’
A fazenda está ocupada por cerca de 230 famílias de trabalhadores sem-terra desde 31 de dezembro de 96. Anteontem, um dos líderes do MST em Querência do Norte, Celso Anghinoni, disse à Folha que as famílias tentavam uma negociação com a proprietária para deixar a área.
O objetivo, segundo Anghinoni, era levantar a possibilidade de a área ser vendida ao Incra para reforma agrária. Daisy negou a declaração do líder do MST e disse que em nenhum momento os sem-terra procuraram fazer acordo com ela. ‘‘Estou lutando para garantir o cumprimento da reintegração de posse’’.
Daisy reclama que os sem-terra a impediram de entrar na propriedade, bloqueando a estrada. Segundo ela, a Dois Córregos tem 150 alqueires, sendo 70 de mata preservada pelo Ibama. ‘‘É uma área pequena para fazer reforma agrária e não dá para assentar nem 10 trabalhadores’’.
O líder do MST em Querência do Norte Paulo de Marqui disse ontem que os sem-terra querem que a proprietária inicie a negociação. ‘‘As famílias vão continuar na área se a proprietária não acenar com a possibilidade de negociar’’, afirmou.
Pelo projeto ‘‘Campos da Paz’’, do governo do Estado, as famílias deveriam desocupar as Fazendas Dois Córregos e Santa Ana e montar acampamento na Fazenda São Sebastião, que foi adquirida pelo Incra e deveria servir de assentamento provisório. Os sem-terra se negam a ir para a São Sebastião, afirmando que a área comporta apenas 20 famílias para o assentamento definitivo. As fazendas Santa Amélia e Água da Prata - também incluídas no projeto - foram desocupadas esta semana.

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