O drama da dona-de-casa de 62 anos, que chocou a comunidade ao acumular 55 gatos, 10 cachorros e toneladas de entulho em sua residência na Vila Casoni (Área Central de Londrina), começa a ser solucionado. Ontem à tarde, metade dos bichos seria levada para uma chácara. O prazo dado pela prefeitura para que a proprietária se desfizesse dos animais vence hoje.
O passo mais importante dado por Amélia, contudo, foi dar início a um tratamento no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). A filha da moradora, que veio de Florianópolis (SC) para cuidar dela, contou à FOLHA que a mãe passou uma semana internada no Caps e está tomando medicamentos. ''Ela já está bem mais calma e aceitando bem a retirada dos animais e do lixo'', comentou.
Sem tratar o problema que levou a própria senhora a criar uma condição insalubre de vida, é bem provável que tudo continuasse igual ou até pior. Foi o que aconteceu após a primeira providência tomada pelo Município, em maio do ano passado, quando toneladas de lixo foram removidas e 25 animais domésticos encontrados na casa. O caso não recebeu um acompanhamento e, no último dia 24, de posse de novo mandado judicial, representantes de órgãos ambientais e de saúde encontraram o dobro de gatos, um coelho e mais lixo.
Ontem, o jardim do sobrado da Vila Casoni já parecia mais aprazível, mas ainda exalava mau cheiro e exibia uma pilha de tijolos, gaiolas e objetos velhos. ''Estamos limpando aos poucos. O SOS Vida Animal disse que vai pegar as gaiolas, mas que é difícil ficar com os bichos porque estão velhos e dificilmente vão conseguir doar'', disse a filha. Vizinhos acolheram o coelho e um gato.
Além da ONG SOS, uma funcionária da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) havia sugerido que a família levasse os animais para o Hospital Veterinário. ''A universidade não aceitou nem para cobaia. Nenhum órgão quis pegar'', desabafou a filha. A solução foi levar os animais para uma chácara, onde a dona-de-casa irá pagar para mantê-los até que se dê um destino definitivo a eles. Ontem, ela estimou que conseguiria transportar metade dos cães e gatos, ''o que couber numa viagem''.
A expectativa agora é pelo retorno do marido da dona-de-casa, que há quase 20 anos foi para o Japão trabalhar. A filha contou que ele recebeu com surpresa notícias sobre a condição da esposa e anunciou que volta para ficar, trazendo o outro filho. ''Meu pai não imaginava que estava acontecendo tudo isso. Ele sempre telefonava e escrevia para ela, que não contava nada. Minha mãe dizia, aliás, para ele não voltar. Acho que tinha medo que ele visse a situação da casa'', revelou a filha, acrescentando que também ficou chocada ao chegar de Santa Catarina.
''Ela não foi sempre assim, começou há uns três anos. Acho que foi depressão por ficar muito sozinha. Acreditamos que ela possa melhorar, mas é preciso paciência'', afirmou. Ela ressaltou ainda que a dona-de-casa evitava a visita de parentes e às vezes não atendia o telefone. Atualmente, a mulher está morando em outro imóvel e só vai ao sobrado durante o dia, para fazer limpeza.

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