Dona Maria Claudina da Conceição fez 100 anos ontem. Como é a mais idosa entre os cadastrados da Pastoral da Pessoa Idosa de Londrina, ganhou festa, organizada pela pastoral e Ong Arte de Bem Viver. Há três anos, ela comemora seu aniversário. Segundo dona Claudina, seu centésimo aniversário era muito esperado por todos. ''Estou muito feliz com a festa, mas para as próximas, só quero de novo se eu vencer mais três anos. Daí, eu convido vocês para comemorar os 103'', diz. A festa ocorreu na tarde de ontem no salão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Adriana.
Caçula de nove irmãos, dona Claudina nasceu no Ceará, em 1906. Ela não lembra ao certo qual é a sua cidade natal, mas conta que a viagem do Norte ao Sul do País foi feita de navio. ''Foi o primeiro navio que existiu no Brasil. Vim com a minha família ainda criança para trabalhar nas fazendas de café. Na época, estavam soltando os escravos e os fazendeiros iam buscar a gente. Muitos cearenses vieram no mesmo navio'', recorda. A família veio para uma fazenda na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Para enfrentar a mudança de realidade junto do pai e dos irmãos, e sem a presença da mãe, que morreu no Ceará, dona Claudina parece ter desenvolvido uma força mental que mistura fé e alegria. Ela conta que trabalhou muitos anos como empregada e bóia-fria, mas sempre com a certeza de que um dia teria uma vida feliz. ''Sofri muito na juventude, mas depois do casamento fui muito cuidada. Parei de trabalhar na lavoura e só ficava em casa com meus filhos''.
Segundo a nora de dona Claudina, Eunice Maria Arruda, a centenária dorme bem, quase não tem problemas de saúde e como pouco. ''Nas refeições ela come somente uma colher de feijão e uma de arroz, mas gosta de rapadura de vez em quando, que é para dar força'', conta. Na consulta médica mais recente, a saúde foi confirmada.''O doutor disse que ela tem mais uns 20 anos pela frente'', diz Eunice.
Católica fervorosa, dona Claudina não perde uma missa aos sábados. ''Deus está comigo e tenho muita fé. Meus netos me levam à missa todo sábado''. A cada momento ela diz estar fazendo orações. ''Sempre que vou enfrentar algum problema, converso com Deus e deixo tudo nas mãos dele'', diz.
Em Londrina, a história teve início há 40 anos. Veio para ajudar a cuidar da nora, que estava com um bebê recém-nascido. ''Vim para ficar pouco tempo e não voltei mais''. Hoje, ela mora com o filho, Francisco Arruda, de 70 anos, e a nora Eunice. ''Tenho 30 netos e a mais velha já tem 50 anos. E meu tataraneto mais novo tem três meses. A família é muito grande mesmo'', diz.
Sobre a vitalidade que demonstra, ela conta que parece ser uma espécie de herança de família. ''Todos os meus irmãos morreram com mais de 100 anos. Tenho uma irmã que morreu aos 106'', conta. Se existe algum segredo para viver tantos anos e com tanta lucidez, dona Claudina é simples nas palavras. ''Eu não guardo raiva nem mágoa dos outros. Hoje sou feliz e Deus está sempre comigo''.

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