Uma hora depois da tentativa frustrada da equipe da Sema em encontrar a proprietária dos animais, a reportagem da FOLHA telefonou para a residência e conseguiu falar com ela. Aparentemente tranqüila, a dona-de-casa se disse surpresa ao ouvir que representantes da prefeitura estiveram no local.
  ‘‘Eles bateram aqui? Puxa, eu não ouvi. Estava lá nos fundos’’, afirmou. Ela disse que estava esperando a visita de duas veterinárias particulares que iriam avaliar o que poderia ser feito com os animais. ‘‘Disseram que tenho de tirá-los daqui, mas não tem lugar para levar. No SOS (Animal) e no Hospital Veterinário, parece que não cabe. Doar é difícil, porque eles não são mais filhotes’’, ressaltou.
  A dona-de-casa e ex-costureira de 62 anos contou que está tomando medicamentos receitados pelo Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) e que se sente bem. Afirmou ainda que ‘‘cada dia limpa um pouquinho da casa’’. Perguntada se está feliz com o retorno do marido que há 16 anos trabalha no Japão, marcado para o final do mês, ela titubeou. ‘‘Sei lá, viu. Acho que vou levar uma bronca.’’
  Os profissionais responsáveis pelo atendimento à dona-de-casa no Caps não foram localizados ontem à tarde. O órgão confirmou apenas que ela passou cerca de uma semana internada e está em tratamento.
  A veterinária da Sema, Anne Christine Hiltel, disse que não tentou ligar na casa da senhora e que provavelmente não retornaria ao local ontem, mesmo após a reportagem relatar que a moradora estava lá. (V.N.)

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