Durante a pesquisa, Percy Galimbertti observou outro ponto também obscuro na vida do dekasseguis: a desestruturação familiar. Ao retornarem para o Brasil, alguns emigrantes encontraram situações bastante adversas no relacionamento com pais, esposas, maridos ou até mesmo filhos. ''É o caso de um pai que ao voltar de uma temporada no Japão não era mais reconhecido por um dos filhos'', relata o médico.
Galimbertti destaca que ser dekassegui impõe uma dupla responsabilidade: o sucesso na empreitada e o resgate da dignidade de seus antepassados que também foram dekasseguis, mas não obtiveram a resultado almejado quando retornaram ao Brasil e tiveram que se estabelecer. O sucesso, explica o psiquiatra, está no no domínio da língua japonesa que facilita a comunicação e o amadurecimento emocional.
''Atualmente, a situação dos dekasseguis tem melhorado no Japão graças a uma rede social de apoio. Muitos que já estão lá pela segunda ou terceira vez conseguiram minimizar o sofrimento com o estabelecimento de suas famílias também'', disse o médico.

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