Estrelas da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, os touros premiados e as vacas campeãs de vendas tiveram ontem, domingo de Páscoa, a companhia de um outro simpático animal. O Coelho da Páscoa, é claro, não foi esquecido nos corredores do Parque Ney Braga.
  Em uma iniciativa inusitada, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) distribuiu para as crianças, durante todo o dia, chocolate produzido com farinha e proteína de soja. Como o próprio coelhinho se encarregou da entrega, para a alegria da garotada, quem recebia o bombom acabava não se preocupando muito se o sabor do chocolate de soja era diferente ou não do tradicional. Mesmo assim, quem provou a guloseima não teve do que reclamar.
  E os ovos de chocolate também foram destaque nas mesas do Recinto de Leilões José Garcia Molina. Como o 2º Leilão Elite Espinho Preto foi marcado justamente para o almoço de Páscoa, o clima de confraternização que a data evoca ficou claro no encontro de pecuaristas da região.
  Marcado para o meio-dia, o primeiro lote só foi apresentado às 14h30. Atraso? Não mesmo. As duas horas e meia entre a chegada e o início do evento serviram para que os convidados pudessem apreciar a mesa farta preparada pelo Buffet Planalto, que há 25 anos serve em leilões de animais.
  Por toda essa experiência, Antônio Chineze, proprietário do bufê, até já passou a entender de pecuária, mesmo sem ser do ramo. Pela cartela de clientes – até o final da Expo 2004 terá servido em 10 leilões de elite como o de ontem – ele pode perceber que os criadores de gado Nelore estão vendendo mais do que, por exemplo, as raças européias. ‘‘De dois, três anos para cá, teve essa alta do Nelore’’, explica Chineze. Dos 10 clientes, o único não nelorista será o leilão Marchigiana.
  Leitão à pururuca, arroz tropeiro, filé mignon ao funghi, torteleti, mesa de antipastos, mousse de maracujá com calda de chocolate como sobremesa e uísque 12 anos para acompanhar. O cardápio de dar água na boca embalou a tarde em que uma só vaquinha, a Preferida, foi arrematada pela bagatela de R$ 148 mil reais. Na platéia, além de compradores interessados, muitos apreciadores da boa mesa. ‘‘Nesses leilões o público varia muito, mas em média 30% são compradores, 50% de curiosos e 20% que só vem pela comida mesmo’’, garante Chineze.
  De acordo com o proprietário do bufê, um almoço como o de ontem, em geral, não sai por menos de R$ 40 por pessoa. Mas como todo o evento é bancado pelo organizador, parte da bilheteria é revertida para instituições de caridade – a maioria dos convites é distribuída gratuitamente pelos organizadores. ‘‘E mesmo assim, paga-se menos considerando que o valor do ingresso custa em média R$ 30’’, argumenta.
  Para o pecuarista Eduardo Duarte, organizador do leilão, os gastos com o almoço farto fazem parte de ‘‘um investimento institucional da marca’’, diz. ‘‘Você recebe pessoas de todo o Brasil e tem que fazer isso com conforto e elas têm que ser bem servidas’’, ensina. No ano passado, a primeira edição do Leilão Espinho Preto fechou negócios no valor de pouco mais R$ 1 milhão. Desse total, de 20 a 25% foram reservados para o que Duarte chama de investimento institucional.
  Às 16 horas também foi realizado o Leilão Rio Bonito, no Recinto Abdelkarim Janene. Mas o domingo do Parque, para não fugir da tradição, foi, como sempre, dos mais familiares. Muita gente aproveitou o tempo bom e ensolarado para visitar o parque de diversões, ver de perto os animais e saborear os quitutes. No final da tarde, a movimentação maior ficou por conta do público interessado na etapa final do Rodeio Rural Show, que distribuiu prêmios no valor de R$ 17 mil para os dez primeiros colocados no Recinto de Shows e Rodeios João Milanez. Os números de público dos primeiros dias de Expo serão anunciados hoje pela organização.

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