Domingo é dia de pescar em família
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de fevereiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Edson GuittiSegurançaA estrutura de lazer atrai famílias inteiras; pais ressaltam a segurança para pescar com os filhosFrequentar clubes sociais ou fazer um passeio pelas áreas verdes dos municípios estão deixando de ser os programas tradicionais de fins de semana e feriados. A nova mania é pescar nos pesque-pagues, que oferecem comodidade e conforto e estão se multiplicando em todo o Estado. Esta opção de lazer já é considerada uma nova terapia familiar com a participação de avós, pais e filhos.
Além do prazer de pescar garantido pelos tanques de peixes, os pesque-pagues atraem famílias por oferecer estrutura de lazer como restaurantes, parque de diversões, passeios de charrete e pedalinho. Alguns oferecem até os equipamentos para a pescaria, e entregam limpos os peixes fisgados pelos frequentadores. A grande procura também tem incentivado os proprietários a melhorar as instalações, proporcionando mais conforto.
Acostumado a pescar na beira de rios em feriados e até mesmo nas férias, o funcionário público de Maringá, José Carlos Iba, 53 anos, começou a frequentar os pesque-pagues há dois meses. Gostou tanto da estrutura de um deles que passou a ser frequentador assíduo. Pelo menos uma vez por semana venho ao pesqueiro com a minha mulher e meu neto, que adora pescar.
Ricardo AmaroCentro de produçãoAçudes em Assis Chateaubriand que, juntamente com Toledo, se destaca na produção de peixes
Iba admite que a troca do rio pelos tanques de peixes tira um pouco a emoção da pescaria. Nos rios a gente não sabe o que vai pescar e nos pesqueiros a gente já fica no tanque onde está o peixe desejado. Mas há outras vantagens, diz Iba. Uma delas é a oportunidade de levar a família e passar horas na companhia do neto. É mais perto, mais seguro e até mais barato porque os pesqueiros ficam próximos da cidade, ao contrário dos rios, diz.
Ivete Iba, 50 anos concorda com o marido. Ela nunca participou das pescarias com Iba, mas quando conheceu o pesque-pague percebeu no local um ótimo centro de lazer. Aqui posso trazer meu neto porque ele adora pescar e fica todo dia perguntando quando a gente vai ao pesqueiro. Tiago, 10 anos, aproveita a deixa da avó e revela: O pesqueiro é mais prático porque é perto da cidade e sei que eles (os avós) podem me trazer quase sempre.
O bancário de Maringá, Hélio Montavani, 37 anos, também se diz um apaixonado pela pescaria e afirma que sempre gostou de pescar na beira de rios. Mas deixou o hobby de lado depois que se casou. Com os três filhos e a mulher não dá para a gente pescar na beira de rios, porque é muito perigoso. Com os pesque-pagues, ele resgatou a velha mania e agora traz toda a família. No pesqueiro é mais tranquilo, dá para a gente conversar com os filhos e ensiná-los a pescar com segurança.
Edson GuittiBoa procura incentiva os proprietários a investir
Montavani garante que já pescou até quatro peixes grandes em um só dia no pesqueiro, mas afirma que este não é o objetivo principal. Tem dia que não pesco nada, mas não tem importância, porque o que vale a pena é ficar algumas horas junto com a família e amigos jogando conversa fora.
Proliferação Em Maringá, existem 10 pesque-pagues espalhados pela zona rural. A maioria surgiu há cerca de dois anos. O investimento varia de acordo com as opções de lazer oferecidas no local. Alguns receberam investimentos que ultrapassam R$ 150 mil. De acordo com o chefe da divisão de abastecimento da prefeitura, Luciano Ferreira Lopes, a ampliação deste tipo de estabelecimento começou a cerca de dois anos.
Lopes diz que a nova mania é boa para os proprietários rurais que não têm boas opções de renda e também para os moradores, que contam com mais uma alternativa de lazer. Ele adverte, entretanto, para os prejuízos. Com a proliferação dos pesque-pague, a atividade vai se tornar inviável devido à pulverização dos frequentadores.
Um dos maiores pesqu-pagues de Maringá é o Pesqueiro do Pacu, na saída para Iguaraçu. O proprietário, Claudio Renato Ivantes, 32 anos, iniciou a atividade depois de conhecer locais semelhantes, em São Paulo. Junto com o irmão, César Ivantes, Claudio passou a investir na estruturação do negócio. Oferecemos tudo que é necessário para a pescaria. Isso é bom para os frequentadores que não precisam se preocupar em comprar equipamentos ou mesmo carregar aquele monte de apetrechos, diz.
O atendimento também é levado à sério. Para não tumultuar a pescaria, garçons levam petiscos e bebidas para os pescadores, à beira dos tanques. Ivantes pensa agora em abrir um tanque novo, oferecendo uma nova modalidade de pescaria, para quem gosta apenas de fisgar o peixe e soltá-lo na água em seguida. Coisa de quem não abre mão do prazer de pescar.


