Ronco de motos, buzinaço, carros com som no último volume... Entrar na Avenida Saul Elkind (Zona Norte) num domingo à tarde é uma loucura. E a maior curtição para as centenas de jovens que passam horas jogando conversa fora, paquerando, tomando uma cervejinha ou se deliciando na sorveteria. A avenida do Cincão tornou-se ponto favorito da galera do bairro e, porque não, dos ‘‘sapos de fora’’.
A partir das três horas da tarde, as duas pistas da avenida ficam lotadas. Das calçadas, a galera assiste ao desfile de motos, carros e garotas. Os estacionamentos do comércio local viram camarote.
A região dos Cinco Conjuntos pode ser considerada uma cidade à parte. Por isso mesmo a moçada faz da avenida sua principal atração. ‘‘A gente só vai para o Centro quando tem alguma coisa melhor, senão o fervo é aqui’’, diz Khrystie, 18 anos. ‘‘Antes tinha a Higienópolis e a Maringá, pra onde todo mundo ia. Agora, muita gente vem pra cᒒ, completa a amiga Maria Carolina, 17.
Elas contam que sempre que é possível marcam presença na avenida. ‘‘É um outro modo de se divertir’’, diz Khrystie. E o que se faz por lá? ‘‘Ah! - observa Carolina - o que rola aqui é principalmente a paquera. A gente sai de casa pra isso... E muita amizade, é claro’’.
Os domingos na avenida tornaram-se uma rotina na vida das duas. ‘‘Começa de manhã, quando a gente vem comer pastel na feira. Depois, voltamos à tarde, ficamos até umas sete horas, vamos pra casa, tomamos banho e voltamos novamente à noite’’, observa Carolina.
Mais chegadas à tranquilidade, as amigas preferem a barraquinha do sorvete como ponto de encontro. E reclamam da bagunça alheia: ‘‘O barulho atrapalha a conversa. É o cúmulo! Esses caras - referindo-se aos motoqueiros - tinham que aproveitar melhor e não correr tanto!’’, recrimina Krystie.
‘‘Cada roda é uma turma diferente e cada um curte a sua’’, argumenta Agnaldo 21, integrante da turma do barulho. Ele conta que a turma vai para a avenida no domingo a fim de ‘‘curtir um som, conversar e ver as gatinhas na rua’’. Das três às sete e das nove à meia-noite, a rapaziada está no ‘‘point’’. Durante o dia, mais no bate-papo e na paquera. ‘‘À noite, tem a turma da cervejinha, do pagode, do dance...’’, diz Luiz Carlos, 28.
Também da mesma turma, Wesley S.D., 18, fala sobre ‘‘o jogo’’ da paquera e dá as dicas para ganhar uma namorada. ‘‘Se o cara tem uma moto ‘forgada’ (grande), ganha mais gatinha. É a mesma coisa com carro. Agora, se o cara é de fora, não adianta só ter carrão: tem que saber chavecar. Se for mané, sai perdendo’’, avisa.
Mesmo com desencontros de opinião entre as turmas, os três amigos garantem que briga é coisa rara por lá. ‘‘É só os caras não folgarem com a gente ou com a namorada de alguém’’.
E a polícia? ‘‘Os caras vêm aqui e embaçam com a gente. Por qualquer coisa dá uma multa, principalmente em motos’’. Mas a maior reivindicação da turma é a construção de uma praça de eventos, ‘‘onde a galera possa se encontrar’’. ‘‘Assim não precisamos mais ficar no estacionamento do mercado’’, finaliza Luiz Carlos.
Turma daqui, grupinho de lá, uma tarde na Saul Elkind oferece muito mais. Para descobrir, só conferindo de perto.

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