Domingo deixa clima tenso na PCE
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domingo, 02 de setembro de 2001
Luciana Pombo<BR>De Curitiba 
Duas tentativas de fuga deixaram o clima tenso e obrigaram a direção da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, a suspender as visitas de domingo. Mais de 600 pessoas (a maioria mulher de preso) tiveram que voltar para a casa. Uma mulher grávida passou mal e outra teve um braço machucado no tumulto que ser formou em frente ao portão da PCE. Seis presos tentaram fugir na madrugada de ontem e um está desaparecido desde quinta-feira.
Por volta das 2 horas de ontem detentos que estavam numa cela da sétima galeria começaram a serrar a grade e foram descobertos pela Polícia Militar. Duas horas mais tarde, outros três presos conseguiram serrar uma cela da quarta galeria e chegaram até o campo de futebol. Eles foram dominados pelos policiais militares, identificados e encaminhados para a ala de segurança máxima.
Os parentes dos presos ficaram revoltados com a suspensão das visitas. ''Nós temos o direito de ver nossos familiares nos finais de semana. A atitude de apenas seis presos não pode fazer com que todos os outros internos sejam punidos'', disse uma mulher de preso que pediu para não ser identificada. Ela contou que os policiais militares retiraram as mulheres de frente dos portões e fizeram um pente-fino dentro da penitenciária. A proibição das visitas de ontem, de acordo com o coronel Nemésio Xavier de França, comandante do Batalhão de Polícia de Guarda (BPGD) e diretor interino da PCE, foi necessária por motivos de segurança. A intenção é a de que sejam abertos os portões para os familiares dos dententos no sábado e domingo próximos. ''Vamos compensar.''
De acordo com as mulheres de presos, o clima começou a ficar tenso dentro da PCE na última quinta-feira, quando os agentes penitenciários deram pela falta de um interno, indentificado como Carlos Roberto Minoto e que cumpria pena por assalto. Ele teria fugido de dentro da unidade vestido como soldado.
O coronel Nemésio desmentiu o desaparecimento do preso. Ele disse que mandou instaurar uma sindicância interna para saber o que de fato ocorreu. Ele tem quatro hipóteses: Minoto pode estar escondido na PCE; pode ter sido morto; ter pulado o muro; ou deixado a unidade penitenciária vestido como policial militar ou como agente penitenciário. ''Numa dessas duas últimas hipóteses teríamos a conivência de nossos homens.''
Os policiais militares foram deslocados ontem para fazer uma vistoria em todas as celas, departamentos, túneis fechados, manilhas e esgotos na tentativa de descobrir onde está o preso. A P-2 (serviço reservado da Polícia Militar) foi acionada para tentar descobrir o paradeiro do assaltante, na hipótese dele já estar fora da PCE.
Desde que houve a última rebelião, já foram encontrados oito túneis, oito telefones celulares, duas bombas caseiras, 20 munições calibre 38 e mais de 60 estoques afiados.


