O segundo homicídio de 2007 na cidade de Andirá (36 km ao Oeste de Jacarezinho), registrado por volta do meio-dia de ontem, gerou momentos de terror para a cidade de 23 mil habitantes. Além da morte, o saldo final de um dia tumultuado registrou um carro incendiado, duas viaturas da polícia apedrejadas, quatro policiais feridos e cinco pessoas presas.
De acordo com informações das polícias civil e militar, o marceneiro Tiago Hilário da Silva, 26 anos, que foi preso em flagrante, é acusado de ter assassinado, com golpes de facão, Edemílson Aparecido Pinotti, 27.
Segundo os policiais, Silva e Pinotti há algum tempo já tinham desavenças. ''O Silva me disse que o desentendimento acontecia porque ele havia 'mexido' com a mulher de Pinotti e estava sendo ameaçado desde então. Ele alegou que agiu em legítima defesa'', relatou o delegado de Andirá, Almir Salmen. Ainda segundo o delegado, a vítima já tinha cumprido pena por receptação e tráfico. Silva não tinha passagens pela polícia.
O capitão Wanderley da Silva Castro, sub-comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar de Cornélio Procópio, que atende Andirá, relatou que após atingir Pinotti no pescoço com um facão, Silva escalou o reservatório de água da cidade, de aproximadamente 25 metros de altura, e ameaçava pular de lá.
Enquanto isso, diversas pessoas se aglomeraram embaixo do reservatório e queriam o linchamento do acusado. Uma grande confusão se formou e o pequeno efetivo da PM de Andirá, que conta com apenas três policiais por plantão, precisou receber reforço de seis cidades do Norte Pioneiro e de Londrina. O grupamento do Corpo de Bombeiros de Cornélio Procópio também foi acionado para resgatar Silva. Enquanto ele estava sobre o reservatório, três tiros foram disparados na direção de Silva e dos policiais, por alguém que se posicionou atrás da caixa d'água.
''Só ouvi um policial dizendo para eu sair dali porque estava na linha de tiro. Foi um momento de muita tensão'', recordou Oswaldo Luiz, repórter e gerente da Rádio Cabiúna de Bandeirantes, que transmitia, ao vivo, os acontecimentos e ainda sofreria outros momentos de medo durante a cobertura.
Como o rapaz resistia aos pedidos dos bombeiros, foi preciso chamar seus familiares para convencê-lo a se entregar à polícia. ''Pedi para ele pensar na nossa mãe e no filho dele, de apenas quatro meses. Não sei porque o Tiago se envolveu com isso, ele sempre teve bons exemplos dentro de casa'', contou Paulo César Hilário, irmão mais velho de Silva.
Quando o acusado finalmente se entregou, vestindo roupas de bombeiro para não ser reconhecido entre os oficiais que o ajudaram a descer do reservatório e escapar do linchamento, foi que começou a grande confusão.
Dezenas de pessoas começaram a atirar pedras contra os policiais, que reagiram disparando balas de borracha. ''Chegou ao ponto de termos que nos esconder para proteger a nossa vida'', lembrou o soldado Vanderlei Villas Boas, de Itambaracá, atingido por uma pedra na perna.
Na sequência, os vândalos apedrejaram uma viatura da Polícia Civil e outra da PM e atearam fogo no carro da Rádio Cabiúna, um Gol 1995. ''Em 34 anos de rádio eu nunca vi um absurdo desses. Hoje senti a minha vida ameaçada. Para você ter uma idéia da ousadia dos marginais, chegaram a retirar o toca-cd do carro antes de o incendiarem. Até os bombeiros foram agredidos'', lamentou o radialista.
A prisão em flagrante de Silva foi feita em Bandeirantes. Ainda na noite de ontem ele foi encaminhado para outra cidade não revelada pela Polícia Civil, que também tem efetivo pequeno. Além do delegado, trabalham em Andirá três investigadores, que se revezam para cuidar dos 23 presos que estão na delegacia, e um escrivão.
Foram detidos por vandalismo e incitação ao homicídio Alex da Silva, 22; Maíra de Carvalho, 26; Valdeli da Silva, 19 e Marli Machado, 34.

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