Domingo de sol leva multidão ao Parque Ney Braga
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domingo, 06 de abril de 1997
Bete Fagundes 
Uma multidão passou o domingo no Parque, comendo, bebendo, olhando tudo. Tem muita coisa aqui pra ver, e pra comprar; só falta dinheiro, né?, afirmou Helena Tashima, no final da tarde, depois de horas de caminhada. Com ela estava praticamente toda a família Tashima: seis pessoas. Ela, de Santa Mariana, outros, de Londrina e Apucarana. Gostei de tudo, pena que não tem show no final de semana, observou Yaeko Endo.
O visitante tem mil formas de entretenimento no Parque Ney Braga, que desde quinta-feira abriga a 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, a 31ª Nacional e a 5ª Internacional. Já no primeiro pavilhão de expositores, as pessoas vão descobrindo novidades e pesquisando preços. Luzia da Silva gostou de uma jaqueta de couro e só não comprou porque, segundo ela, estava muito cara: R$ 150,00 à vista ou em até três prestações.
No mesmo pavilhão, o estande do Carrefour era um dos mais frequentados. Quem foi que disse que não é possível colocar 30 mil produtos na sua carteira?. Com esse apelo, a rede divulgava o seu cartão de crédito: o cliente escolhe a forma de pagamento e compra sem qualquer burocracia. Se preferir, tem até 40 dias para pagar, cobrindo juros de 2,5% ao mês. Cristina Gonçalves ficou de pensar na proposta.
Entre um passeio e outro, o consumidor-visitante fica conhecendo, por exemplo, a promoção da Sercomtel (Celular na Mão). José Antonio Carvalho foi ver de perto a oferta do digital Ericsson: pagamento em até 10 parcelas de R$ 75,00 e sem a taxa de adesão, de R$ 327,00. Provavelmente ele compra o aparelho.
As crianças são os grandes fregueses da praça da alimentação. E são nada menos que 80 barracas e 20 restaurantes no Parque. Refrigerantes, guloseimas; elas querem de tudo. E pedem tudo. A família Ferreira se deliciava ontem com uma porção de calabreza para quatro pessoas. Não reclamaram do preço: R$ 15,00 com direito a farofa, pão e vinagrete. O refrigerante custa R$ 1,00. A cerveja, R$ 1,50.
As crianças também se divertiram com a exposição de animais exóticos, entre eles, um avestruz de 1,5 metro de comprimento, 3 de altura e com 150 quilos. Carolina, de oito anos, achou o máximo, mas gostou mesmo das lhamas da Bolívia. Se dependesse dela, a próxima diversão seria pagar R$ 30,00 para entrar no Ejecton Seat - equipamento que ejeta dois passageiros, sentados e amarrados, a uma altura de 60 metros. Em 1,2 segundo atinge uma velocidade de 100 km/hora. Francisco, o pai, não concordou com o preço.
Propagandas atraentes, como a que a Nipomed faz em seu estande, também chamaram a atenção de um grande público. Está lá, em letras garrafais, o seu plano de saúde: Totalmente sem carência, sem limite de idade, sem limite de dependentes, sem nenhum tipo de exclusão, sem mensalidades, segurança e tranquilidade. Quem via aquilo, já ia logo perguntando: isso não é propaganda enganosa, não?
Voltando para casa às 18 horas, depois de passar o dia no Parque, Luciana e Mariana, com a filha de dois anos, calculavam os gastos: R$ 35,00 ao todo. Tá bom; foi um dinheiro bem gasto, comentou Luciana. Logo atrás delas, na fila do ônibus, João Batista anunciava: eu gastei R$ 100,00 e gostei.
Segundo a Sociedade Rural do Paraná, 122 mil pessoas, entre pagantes e convidados já visitaram a exposição. Só no sábado, o público foi de 66 mil.


