Domingo de Ramos abre a Semana Santa
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domingo, 20 de março de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Como acontece há 60 anos, católicos da região da Vila Casoni (área central de Londrina) refizeram simbolicamente na manhã de ontem a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém durante a celebração do Domingo de Ramos. Cerca de 500 fiéis percorreram ruas dos bairros carregando folhas de palmeira nas mãos até chegarem à Igreja Nossa Senhora da Paz, onde participaram da missa. Cerimônia semelhante também foi realizada na Catedral Metropolitana. A data marca oficialmente o início da Semana Santa para os cristãos.
A concentração na Vila Casoni foi feita na praça Princesa Izabel. O padre Romão Antônio Martini Martins benzeu as folhas e lembrou que o Domingo de Ramos foi o dia em que Jesus Cristo saiu do monte das Oliveiras, montado em jumentinho, rumo à cidade de Jerusalém onde foi saudado com galhos de oliveira por milhares de seguidores e aclamado como Rei, filho de Davi. ''Foi um ato de amor'', apontou o padre, já que Jesus sabia que corria risco de morte caso entrasse na cidade sagrada. Cinco dias depois, na sexta-feira, Cristo foi crucificado.
Desde então, a data passou a ter um significado especial para os católicos, que persiste até hoje. Na Vila Casoni, a celebração ocorre desde a fundação da paróquia, em 1945. A aposentada Julieta Martins, 79 anos, era uma das mais emocionadas. Contou que sua família foi uma das fundadoras da igreja e ela contribuiu pessoalmente com a construção do primeiro altar dedicado à Nossa Senhora da Paz. ''Para mim é uma alegria muito grande e um dia muito especial'', emocionou-se.
O aposentado José Branco, 73 anos, também faz questão de acompanhar anualmente a peregrinação pelas ruas do bairro durante o Domingo de Ramos. ''É uma data muito bonita porque é o dia do Senhor e isso para os católicos representa bastante'', afirmou. A procissão também é feita todos os anos pela dona-de-casa Ilda de Oliveira, 60 anos. ''O povo todo já espera para benzer os ramos e depois seguir para assistir a missa'', falou.
A data foi lembrada pela Igreja Católica brasileira em artigo publicado no site da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidida pelo cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, ex-arcebispo de Londrina. Em um texto relativo à celebração, o arcebispo metropolitano de Juiz de Fora (MG), Dom Eurico dos Santos Veloso, ressaltou que os cristãos não devem se limitar a apenas relembrar o fato histórico, porque ''todo o mistério da Redenção é permanente''.
O religioso também comentou que assim como no passado, quando muitos não confessavam o Cristo para não serem expulsos das sinagogas ''(hoje diríamos sociedade), pois amaram mais a glória dos homens que a de Deus'', isso também acontece nos dias de hoje. ''Calamo-nos nos atentados contra a Lei de Deus, nos atentados à vida de nossos irmãos, até mesmo ainda não nascidos, indefesos'', criticou o arcebispo numa clara referência sobre a discussão relativa à legalização do aborto no País.


