A Polícia Civil em Londrina abriu inquérito policial para apurar se uma funcionária do Hospital Universitário (HU) agiu de forma negligente ao orientar a doméstica Benedita Honorato, de 52 anos, a procurar atendimento em outra instituição. Ela faleceu pouco depois das 12 horas de domingo enquanto seguia do HU para o Pronto Atendimento Municipal (PAM).
A doméstica tinha problemas cardíacos e segundo um de seus irmãos, o porteiro Mário Honorato, de 54 anos, ela começou a passar mal no domingo de manhã. Colocando sangue pela boca, a família decidiu levá-la até o pronto-socorro do HU, o hospital público mais próximo de sua residência. Ela chegou andando ao hospital. ''Chegamos lá e eles não quiseram atender, mesmo com ela golfando sangue. Disseram que a gente tinha que levar ela no posto'', reclamou. Antes de chegar ao PAM, no centro da cidade, ela teria pedido socorro após vomitar uma grande quantidade de sangue e perdido a consciência. Benedita faleceu antes de chegar no posto.
Elza Honorato, 55 anos, comentou que um médico do PAM teria dito que a doméstica morreu asfixiada pelo próprio sangue. ''A família está muito revoltada porque se ela estivesse no hospital, eles teriam condições de dar a assistência que ela precisava'', criticou. Ela comentou que a irmã tinha consulta marcada para hoje com um cardiologista e deveria ser submetida a uma cirurgia em breve por causa de um ''inchaço em uma veia do coração''.
Ontem, a família registrou boletim de ocorrência no 2º Distrito Policial por entender que a atendente do HU agiu de forma negligente ao recusar a paciente. O delegado Antônio do Carmo informou que começou a ouvir as pessoas que acompanhavam a doméstica e já tem a identificação da funcionária do hospital. ''Não há o que se falar em omissão de socorro por parte do HU, porque ela não passou nem da portaria. O que quero esclarecer é se a doméstica tivesse sido atendido, isso teria evitado sua morte? Aí sim, a atendente teria sido descuidada porque ela não tem condições de avaliar se o caso era grave ou não'', avaliou o delegado. Ele agora espera a conclusão do laudo de necrópsia pelo Instituto Médico Legal (IML) que vai apontar a causa da morte.
O diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves, lamentou a morte da doméstica e antecipou que será instalada uma comissão interna de investigação para apurar os fatos. ''A funcionária atendeu (a doméstica) mas uma acompanhante informou uma queixa digestiva, com um histórico de vômito. A atendente disse que as macas estavam ocupadas e orientou que, se quisesse esperar, ela seria atendida. Caso contrário, deveria procurar um posto de saúde ou o PAM'', argumentou Alves. Ele garantiu que no HU ''não existe negativa de atendimento'' e que todas as pessoas que procuram o hospital e informam que o caso é grave são atendidas.

mockup