A doméstica Leunice Eliane do Nascimento, 25 anos, está sendo acusada de ter enterrado vivo o próprio filho logo após o parto. O crime teria acontecido em Iretama (60 km ao sul de Campo Mourão) no dia 21 de setembro, mas foi denunciado somente na semana passada ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente. A polícia começou a investigar o caso depois que o conselho comunicou o Ministério Público.
Anteontem, por volta das 19h30, com um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Abílio Tadeu de Melo Sodré de Freitas, da comarca de Iretama, policiais civis e militares localizaram o corpo da criança enterrado a cerca de 80 metros da casa de Leunice. A mãe acabou levando a polícia ao local, numa reserva de eucaliptos na periferia de Iretama.
O corpo do bebê, em adiantado estado de decomposição, estava dentro de um saco plástico, enterrado a cerca de 30 centímetros e embaixo de uma pedra com pelo menos 15 quilos. O corpo foi enviado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão e deverá passar por uma autópsia hoje.
Leunice contou à polícia que a criança nasceu morta após um aborto involuntário causado por um tombo. Ela disse que se machucou e que, no dia seguinte, começou a passar mal e acabou abortando. A doméstica é mãe solteira de outras duas crianças.
Uma testemunha que teria ajudado Leunice no parto, no entanto, disse à polícia que ela tomou um remédio abortivo e que viu que a criança, apesar de prematura – 6 ou 7 meses –, nasceu viva. No depoimento que deu ao delegado de Iretama, Wilson Antônio Pepino, a testemunha afirmou que foi chamada para ajudar no parto e que Leunice se recusou a ir para o hospital. A testemunha disse que se retirou do quarto logo após o nascimento da criança e que, quando voltou, o bebê já estava dentro de um saco plástico, mas ainda se mexia. Ela disse que não sabe quem colocou a criança no saco, uma vez que tinha mais uma pessoa na casa.
Além de Leunice, a polícia suspeita do envolvimento de um irmão dela, Carlos Alexandre Nascimento, 18 anos. Ele admitiu ao delegado que sabia do caso, mas negou qualquer participação no aborto e no enterro do bebê. Como não houve flagrante, nenhum dos dois foi preso. Eles apenas prestaram depoimentos e foram liberados. O delegado deverá ouvir hoje o depoimento de outras três pessoas, vizinhos de Leunice.

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