Doméstica de Foz denuncia erro médico
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaImperíciaVera Lúcia corre o risco de perder a perna por causa da ferida A empregada doméstica Vera Lúcia Ferreira formalizou ontem ao Conselho Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu denúncia de erro médico envolvendo o médico da prefeitura, Felix Vieira. Ela teria recebido uma injeção de éter no joelho, medicamento anestésico de uso externo ou inalante. A ferida provocada pela susbtância se transformou em úlcera e Vera Lúcia corre o risco de perder a perna.
Segundo a denúncia, protocolada também no Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu, Vera Lúcia teria ido ao posto de saúde do bairro Morumbi 2 (zona norte da cidade) no dia 10 de abril para que o filho Marcolino Ferreira, de 14 anos, que estava com dor de garganta e febre, fosse consultado.
De acordo com Vera Lúcia, o menino teria reclamado da demora no atendimento. Ela diz que o médico Felix Vieira, plantonista no Posto de Saúde do Morumbi 2, teria discriminado o seu filho pelo fato de ser negro e teria lhe ofendido. Preto só vem ao posto de saúde para causar problemas, teria dito.
Com a demora no atendimento, Vera Lúcia desmaiou. Levada para a sala do médico, Vieira teria lhe aplicado uma dose de éter. Minha perna ficou inchada. Segundo as enfermeiras, ele teria dito que não acreditava que eu estava desmaiada e que iria provar através da dor, afirma Vera Lúcia.
Sentindo muitas dores nas pernas, ela procurou atendimento no Pronto Atendimento Médico (PAM) um dia depois da consulta. Um documento feito por uma junta médica do PAM constatou que Vera Lúcia foi vítima de imperícia médica e que a susbtância aplicada pelo médico era mesmo éter.
Segundo a presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), com sede em Foz do Iguaçu, Maria Goretti Lopes, não há hipótese dentro da medicina que possa ser levantada para a aplicação de éter como injeção. Esse tipo de procedimento só pode ser justicado como uma tortura, diz.
Na avaliação do vice-presidente do Centro de Direitos Humanos e membro do Conselho Municipal de Saúde, médico José Elias Aiex Neto, a injeção aplicada em Vera Lúcia deve ser encarada como uma forma de judiar do paciente. Isso é perversidade. O médico aplicou éter no joelho onde não há nenhuma massa muscular, afirma o médico.
A Secretaria Municipal de Saúde informou ontem que o secretário Sadi Buzanello recebeu a denúncia e determinou a abertura de sindicância interna. Felix foi transferido para o posto de saúde do Profilurb 1 (zona noroeste da cidade). Segundo a secretaria, dependendo do resultado das investigações, o médico corre o risco de perder o emprego.
O delegado do 5º Distrito Policial, Paulo Renato Caldas, vai investigar o caso e o médico pode responder processo por imperícia médica e tentativa de homicídio.
A Folha procurou, por telefone, o médico Felix Vieira, no seu local de trabalho. Até às 17h40, segundo funcionários, ele não havia chegado para o trabalho.


