Doméstica dada como morta terá que depor
Dimitri do Valle
De Curitiba
A delegada Margareth Motta, titular da Delegacia de Homicídios, em Curitiba, vai convocar a doméstica Elisabete Moreira Duarte, 29 anos, para prestar depoimento. A delegada reiniciará as investigações do assassinato de uma mulher em 1996 na capital. Elisabete, que reside em Campo Mourão, foi confundida por um irmão com a vítima e dada como morta na época. A doméstica concedeu entrevista à Folha terça-feira. Para a delegada, o aparecimento da verdadeira Elisabete muda a história da investigação.
Por falta de informações, o inquérito ficou parado até agora na Delegacia de Homicídios. Segundo o processo, o principal suspeito da morte da mulher identificada como Elisabete era um homem conhecido por Jeferson. O suspeito e a mulher moravam numa favela do Jardim da Ordem, na periferia de Curitiba. A morte aconteceu pouco tempo depois da chegada do casal ao barraco montado num terreno invadido. A polícia apurou que os dois costumavam se embriagar e brigar.
Durante a noite de 5 de outubro de 1996, vizinhos teriam escutado barulho de mais um desentendimento do casal. Na manhã seguinte, o corpo foi encontrado num riacho que cortava a favela. A mulher apresentava ferimentos no rosto, cabeça e pescoço. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) atestou que a vítima morreu por afogamento. A polícia tentou encontrar Jeferson na favela, mas ele permanece desaparecido até hoje.
O irmão de Elisabete, Elso Aparecido Duarte, fez o reconhecimento do corpo, que foi sepultado em Campo Mourão. Elisabete regressou a Campo Mourão no dia 10 de setembro, após morar três anos em Santos (SP). A doméstica está sem os documentos pessoais, que foram roubados. O único papel que permanece com a família é a certidão de óbito da filha que precisa provar que está viva.





