Dom Geremias aponta humanidade e diálogo como legados de Francisco
Arcebispo de Londrina, que presidiu missa na Catedral, destaca ainda esperança de que o próximo pontífice siga com as reformas dentro da igreja
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de abril de 2025
Arcebispo de Londrina, que presidiu missa na Catedral, destaca ainda esperança de que o próximo pontífice siga com as reformas dentro da igreja
Jéssica Sabbadini - Especial para a FOLHA 

Uma missa em sufrágio do papa Francisco foi celebrada na Catedral de Londrina, às 12h desta terça-feira (22). Em entrevista à FOLHA antes da celebração, Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina, afirmou que esse é um momento de luto para a Igreja Católica, em razão do falecimento, que ocorreu na segunda-feira (21). Ele ressaltou que Francisco governou em momentos difíceis, como durante a pandemia de Covid, as guerras e as questões migratórias espalhadas pelo mundo, mas também esteve à frente de ocasiões importantes para a Igreja Católica, como a Reforma da Cúria Romana.
“Foi uma coisa quase inédita porque em lugares onde, tradicionalmente, nós tínhamos cardeais, homens, celibatários, hoje estão mulheres”, aponta, citando também a nomeação de pessoas leigas para cargos dentro da igreja. Dom Geremias conta que se encontrou três vezes com o papa Francisco.
Ao mesmo tempo que existe o luto, também há a maturidade para compreender a finitude da vida, em que uma doença pode levar qualquer humano à morte. “Chega um momento em que a vida não é mais possível”, explica o arcebispo. Junto a isso, Steinmetz também aponta a esperança e o que vem pela frente, como a escolha do novo pontífice durante o conclave.
Na visão do arcebispo, esse primeiro momento serve para os cardeais se ouvirem, entenderem melhor o que significa a catolicidade da igreja em todas as realidades em que ela está inserida, independente do país ou da religião predominante. Segundo ele, papa Francisco foi responsável por ampliar o conceito de catolicidade, nomeando cardeais em países pequenos, por exemplo. “Hoje a catolicidade é muito mais representativa no cardinalato do que antes”, reforça.

FUTURO PAPA
Durante as reuniões, cada cardeal apresenta a sua realidade, de acordo com o local em que vivem, o que serve como base para a construção do perfil e das características que o novo papa precisa ter para assumir o cargo. Para Steinmetz, o futuro papa precisa seguir com a característica do diálogo e continuar com as reformas dentro da igreja e com a sinodalidade, que envolve a união de todos os povos nas decisões envolvendo a missão da igreja.
Além disso, o religioso aponta a necessidade de um papa que continue tendo um alcance cultural como Francisco, envolvendo toda a sua jornada dentro da igreja, desde o momento da ordenação como padre.
“E, claro, aberto ao mundo, que continue visitando as periferias”, destaca. A justiça social e a luta em prol dos pobres sempre esteve entre as principais missões de vida de Francisco. Isso vem de encontro a uma das missões de um papa: a de rei, o que envolve estar junto e a serviço da comunidade.
O pesar de pessoas de outras religiões e até mesmo de quem não tem uma também marca o poder do diálogo inter-religioso do papa Francisco. Segundo Dom Geremias Steinmetz, esse apreço das pessoas vem da sua vocação humana e do seu amor.
Para os fieis, a oração é o principal neste momento, tanto para Francisco quanto para o próximo papa. “A minha esperança é de que o futuro papa virá com novas propostas, novas visões, novas formas de análise e novas formas de ver a realidade”, afirma.
FIÉIS
Antes da missa, um aposentado, que preferiu não se identificar, disse que considera Francisco como um papa moderno por gostar de estar entre o povo e por ser bem-humorado. “Ele tinha facilidade em lidar com as pessoas. Foi um papa magnífico”, afirma. O fato de ele ser latino também ajudou a aproximar ainda mais. O próximo papa, segundo ele, precisa ser aberto, já que o mundo está em constante mudança, assim como Francisco era.
Por outro lado, para a aposentada Márcia Côrtes, 78, o desejo é de que o próximo pontífice seja mais tradicional e que resgate a importância do elo que existe dentro de uma família. Para ela, que considera Francisco um ‘papa socialista’, algumas mudanças trouxeram muita abertura dentro da igreja, tanto no modo de vestir quanto nos comportamentos.


