O novo arcebispo de Salvador deverá ser o bispo mineiro dom Geraldo Majella Agnelo, de 66 anos, ex-arcebispo de Londrina. Atualmente, ele é secretário da Congregação Pontifícia para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano. Ele vai substituir o conterrâneo, cardeal Lucas Moreira Neves, que chefiou a arquidiocese por 11 anos. Há seis meses, dom Lucas renunciou ao cargo para assumir, a pedido do papa João Paulo II, a Prefeitura da Congregação dos Bispos do Vaticano.
A informação sobre a escolha do novo arcebispo de Salvador foi transmitida por uma fonte do Vaticano a antigos colaboradores de dom Geraldo de Londrina, onde o religioso é arcebispo emérito. Assessores e amigos do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disseram que ele foi informado sobre a escolha de dom Geraldo.
A Cúria de Salvador não quis se manifestar sobre o assunto ontem, alegando que só poderá anunciar o nome quando o Vaticano fizer a comunicação, por carta oficial, ao bispo-auxiliar dom José Carlos Melo, que administra a arquidiocese de Salvador desde a saída de dom Lucas.
Dom Geraldo vai assumir uma das arquidioceses mais complexas do País por causa da grande influência que as religiões afro exercem na sociedade baiana. São mais de 200 igrejas em Salvador e dois mil terreiros de candomblé. O sincretismo religioso, resultado dessa mistura de cultos, é um assunto tabu para os ocupantes da Arquidiocese de Salvador. Dom Lucas sempre criticou o sincretismo e por isso entrou em conflito várias vezes com o movimento negro. A nomeação, em 98, do bispo-auxiliar dom Gilio Felício, que é negro e mostrou-se mais compreensivo com relação ao sincretismo, melhorou o diálogo entre católicos e praticantes dos cultos afro-brasileiros.

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