O arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, 75 anos, pediu ontem que a imprensa ''tenha mais coragem e não caia na tentação da venalidade, que seu trabalho não esteja atrelado a finanças''. O apelo foi feito durante tradicional café da manhã, oferecido todos os anos para jornalistas em função do Dia Mundial dos Meios de Comunicação. A data foi comemorada no último dia 8, mas o arcebispo estava em Roma, de onde voltou somente anteontem.
Dom Albano reforçou a declaração do Papa Bento XVI sobre o poder dos meios de comunicação na atualidade. ''Eles podem ser uma benção ou um ponto falho, conforme o uso que se faz deles'', disse, acrescentando que, em seus oito anos de atuação em Londrina, testemunhou o ''bom uso'' na maioria das vezes. ''Londrina não seria a mesma se não existissem os meios de comunicação.''
Apesar dos elogios, o arcebispo destacou que a imprensa ainda tem muito a evoluir na cobertura de temas como a violência. ''Mais do que soluções imediatistas, é preciso promover o desarmamento dos espíritos, das injustiças sociais que geram a violência''. Ele expressou ainda que gostaria que os meios de comunicação tivessem a mesma liberdade da arquidiciose de Londrina, que ''graças a Deus tem a ajuda de 3,4 mil pessoas, algumas colaborando com um cruzeiro (sic), e pode dizer tudo que acha verdadeiro e necessário''.
Em Roma, Dom Albano se encontrou com o Papa Bento XVI pela primeira vez desde que o ex-cardeal assumiu o pontificado. Voltou reafirmando que o novo papa é ''bom, corajoso, lutador e supercapacitado''. O arcebispo entregou ao Vaticano seu pedido de aposentadoria, mas ainda não sabe quando o esperado descanso será homologado. ''Os processos da Igreja são meio lentos. Ainda demora um pouquinho''.

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