Dom Albano critica política criminosa
Dom Albano critica
política criminosa
Arcebispo de Londrina diz que neoliberalismo é cruel e perverso
Áureo Nogueira
Cesar AugustoQuestão de valoresDom Albano Cavallin: relato sobre as discussões em IndaiatubaO presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a Igreja porque ela não apóia o seu governo. A igreja não endoça as políticas neoliberais deste governo. A declaração é do arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, dada ontem à noite durante encontro com jornalistas, realizado no Hotel Crillon, para marcar o Dia Mundial das Comunicações.
O bispo aproveitou o encontro para comentar as discussões da 36ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Indaiatuba/SP, entre 22 de abril e 1º de maio. A CNBB divide sua assembléia geral em duas partes: uma discute os direitos de Deus; a outra, os direitos do homem, diz dom Albano, explicando que na primeira são tratados os assuntos religiosos; na segunda, a conjuntura nacional.
Nas questões religiosas, discutimos o papel do cristão no trabalho da Igreja. A necessidade de os leigos atuarem nos mundos da educação, do trabalho, da família, na política e na Igreja. Discutimos, ainda, a valorização do batismo, do casamento e a atuação insubstituível dos leigos na religião, detalhou dom Albano.
Nas questões conjunturais, discutimos a globalização, o Plano Real e suas consequências, como o desemprego; suas causas e efeitos, a seca no Nordeste, o êxodo rural, o inchaço das médias e grandes cidades e a necessidade das reformas agrária e agrícola. Discutimos, ainda, uma outra questão social que muito preocupa a Igreja, que é a problemática das drogas, afirmou o arcebispo de Londrina.
Para dom Albano Cavallin e os bispos do Brasil, a globalização como vem se estabelecendo é cruel e perversa. Assim como houve o Manifesto Comunista, agora estão escrevendo o Manifesto Capitalista. Essa globalização neoliberal é criminosa. Está passando por cima do ser humano, de seus valores éticos e morais, da sua dignidade. Ele vale pelo que tem, não pelo que é, afirma dom Albano, acrescentando que a Igreja defende um desenvolvimento mundial que respeite esses valores. Não fazemos política partidária nem politicagem. Atuamos com base no Evangelho. Por isso, defendemos o desenvolvimento cristão. As pessoas são filhas de Deus e como tal devem ser considerados.
O arcebispo chamou a atenção para a organização da Acordo Multilateral de Investimentos (Ami). Através da Ami, os sete países mais riscos do planeta vão definir o destino dos recursos econômicos e, com isso, impor ao mundo as políticas de desenvolvimento que lhes interessam, aponta dom Albano, destacando a necessidade de resistência. Somente a conscientização pode frear esse processo. Os meios de comunicação e os leigos da Igreja têm um papel fundamental nesse processo de concientização.
O arcebispo de Londrina reitera a posição da Igreja de considerar legítimos os saques realizados por flagelados do Nordeste. O direito maior é o direito à vida. Quando esse direito natural é ameaçado, o saque feito para matar a fome não pode ser penalizado. Até a nossa Constituição determina que a propriedade tem que cumprir função social. Muito mais valioso do que a propriedade de mercadoria é a dignidade humana.
Para os bispos de todo o País, o problema do Nordeste não é a seca, mas a cerca, o latifúndio improdutivo. Somente a reforma agrária e agrícola, resistência à globalização que atende ao interesse dos países ricos e ajustes no Plano Real podem resolver os graves problemas do Nordesde e de todo o Brasil, propõe dom Albano, informando que a Arquidiocese de Londrina está colaborando com as cidades de Oeira e Floriano, no Piauí. A solidariedade é imprescindível em momentos drámaticos como este vivido pelos irmãos nordestinos.





