Dois sem-terra continuam presos
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Lucinéia Parra 
Maringá
Arquivo FolhaDelfino Becker e Celso Anghinoni estão presos há um mês, por determinação da juíza de Loanda, Elizabeth Khater. Até ontem à tarde juíza não tinha se manifestado sobre o segundo pedido dos advogados para libertá-losOs líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região de Querência do Norte (a 113 km de Paranavaí), Celso Anghinoni e Delfino Becker, completam hoje um mês na cadeia de Paranavaí. Eles tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza de Loanda, Elizabeth Khater, que acatou o pedido do ex-delegado de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradock. A juíza negou o primeiro pedido de relaxamento da prisão dos dois e até ontem à tarde não tinha se manifestado sobre o segundo pedido feito pelos advogados dos sem-terra.
Nos últimos 30 dias, a Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná entrou com dois pedidos de relaxamento de prisão à juíza Elizabeth Khater e com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba. A liminar foi negada e os advogados entraram com o mesmo pedido no Supremo Tribunal da Justiça (STJ).
Os advogados ainda aguardam a decisão do STJ. A expectativa em relação à juíza Elizabeth Khater é que ela não acate pela segunda vez o pedido de relaxamento da prisão. De acordo com o advogado Nivaldo Possamai, se o parecer for negativo o objetivo é entrar com novo pedido de relaxamento. Vamos entrar com quantos pedidos forem necessários para garantir a liberdade dos sem-terra, disse.
Anghinoni e Becker são acusados de crimes de formação de quadrilha, esbulho possessório, crime de danos contra propriedades rurais, furto qualificado e lesões corporais. Eles prestaram depoimento à Justiça pela primeira vez no último dia 6 e negaram todas as acusações. Em protesto à prisão dos dois, representantes dos acampamentos dos sem-terra na região de Querência do Norte, iniciaram uma marcha a Curitiba no dia 23 de setembro. Pelas cidades ondem passam, os sem-terra pedem apoio da população à reforma agrária. Eles pretendem chegar em Curitiba no dia 22 e permanecer em frente ao Palácio Iguaçu para um protesto contra todas as prisões de sem-terra no Paraná.


