O médico Marcos Afonso Posso, padrasto de Gabriel Rezende Marques Guimarães, 20 anos, ficou em silêncio na frente dos dois acusados de matar o estudante de arquitetura com três tiros no peito, durante uma tentativa de assalto no dia 14, em plena Avenida Higienópolis. Mas desabou em choro no momento em que deixou a Casa de Custódia de Londrina (CCL), onde os autores confessos do latrocínio foram apresentados.
Já o empresário Waldemar Marques Guimarães, 45 anos, pai da vítima, se exaltou ao se deparar com os acusados, Cleiton Luiz de Lima, 21 anos, e o menor de 17 anos, que teria atirado contra o estudante. A vítima, segundo testemunhas, reagiu para evitar que os assaltantes roubassem o veículo Mazda.
O adolescente pode cumprir três anos de medida sócio-educativa pelo crime e o maior, se condenado, a uma pena de 20 a 30 anos de reclusão. O menor seria encaminhado para o Educandário e Lima permaneceria na CCL até o julgamento.
Com a prisão dos dois rapazes, os familiares acreditam que a primeira etapa que consiste na elucidação do caso foi concluída, mas ainda pretendem responsabilizar o Estado pelo crime.
''Não sei como falar sobre a atuação da polícia em geral, apenas das pessoas que atuaram no caso. Nunca havia entrado numa delegacia antes. Entrei numa madrugada terrível em que meu filho foi morto. Nesse caso, acho que a polícia agiu com o coração, como se o fosse o filho deles'', afirmou Posso, destacando o trabalho do delegado de Homicídios, Joaquim de Melo, e do delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (10 SDP), Jurandir Gonçalves André.
''Uma coisa que Gabriel me deixou de herança foi essa necessidade de me manifestar de alguma forma. Me perguntaram se eu teria alguma coisa para perguntar para o rapaz que atirou no meu filho. Perguntar o quê? Por que você matou o meu filho?'', disse Posso.
Para Waldemar, a elucidação do crime não apaga o sentimento de revolta entre a família e os amigos da vítima. ''Obviamente que ficamos mais aliviados com a prisão dos acusados, mas a minha inquietação continua porque quanto mais se espreme mais a violência sai pelos dedos. Estamos vivendo uma sociedade corrupta'', avaliou.
Os dois acusados foram encaminhados para a CCL para garantir a integridade física dos dois envolvidos, que confessaram o crime. ''Sempre que se trata de latrocínio tomamos esse cuidado. Além de garantir a integridade dos suspeitos, conseguimos ter mais segurança para evitar possíveis tentativas de fuga'', disse o delegado-adjunto Antonio do Carmo.
Melo ressaltou que os dois acusados contaram com detalhes como o crime aconteceu. Antes da tentativa de assalto, Lima e o menor estariam em uma pizzaria na Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), onde os dois moram. ''Um outro rapaz, que por enquanto sabemos apenas que se chama Tiago, levou os dois acusados ao local do crime. Esse rapaz não teve participação. Na hora em que ouviu os disparos, pegou o seu carro e sumiu. A idéia dos dois assaltantes era pegar o veículo da vítima e dar um rolê'', contou Melo, acrescentando que o menor já tinha sido preso por roubo em Cambé (13 km a oeste de Londrina), há cerca de 20 dias.
O adolescente seria o dono do revólver cromado de calibre 38, que ainda não foi localizado pela polícia, juntamente com alguns pertences da vítima. ''Os acusados disseram que vão apresentar a arma do crime e os objetos roubados. A idéia do assalto teria sido do menor'', explicou Melo.
Os dois rapazes evitaram comentar o crime durante a apresentação à imprensa. ''Ele (Gabriel) começou a bater no meu colega. Quando entramos no carro, o rapaz pulou em cima da gente, achando que o revólver era de brinquedo e continuou batendo. O primeiro tiro que demos foi para cima'', limitou-se a revelar Lima, que foi preso em sua casa anteontem, às 18h30. O adolescente foi apreendido também em sua residência, durante a madrugada.

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