Dois são presos por furto de soja
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Dois homens foram presos em flagrante, na madrugada de segunda-feira, em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina), como co-autores no furto da soja, colhida na Agropecuária Neblina, mais conhecida como Fazenda Copersucar. A área, de 189 alqueires, está invadida pelo Movimento Sem-Terra (MST) desde o início de janeiro pela segunda vez nos últimos seis meses. A reintegração de posse ainda não ocorreu porque existem outras propriedades na mesma situação no Paraná. E, conforme a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública, a execução da ordem não segue uma ordem cronológica. ''Para mim, essa lentidão está fora dos padrões'', queixa-se Débora Aparecida de Carvalho Santa Rosa, proprietária da fazenda.
O maquinista Ezequiel Amâncio e o patrão José Carlos Correia saíam do campo com a colheitadeira alugada quando foram surpreendidos por dois soldados da Polícia Militar. Conforme Stenio Antonio Homem da Costa, escrivão da Polícia Civil de Primeiro de Maio, eles auxiliaram os integrantes do MST a colher 41 toneladas de soja, plantada na área da Agropecuária Neblina. Por isso, continuarão detidos à espera de decisão judicial. O autor foi identificado como Cláudio Fernandes, líder do acampamento e, até o momento, foragido.
Segundo Débora, sem-terra armados expulsaram os funcionários do campo e impediram a colheita de aproximadamente 10 alqueires. ''Eles queriam que pagássemos para concluir o trabalho, iniciado com apoio policial há dez dias. Como rejeitamos a proposta, eles usaram a violência. Vivemos uma inversão da ordem, onde os bandidos é que têm o direito garantido'', disse Débora. A soja colhida foi devolvida aos donos e, no momento, está depositada em cooperativas da região. O episódio está relatado no quarto inquérito policial relacionado à antiga Copersucar.
''Nenhum integrante do Movimento praticou qualquer crime na área. O que existe são informações equivocadas'', afirmou Cláudio Oliveira, coordenador estadual do MST, sobre as acusações de furto da soja, roubo de objetos na sede e residência do caseiro, além da matança de bois, feita pelos proprietários. De acordo com ele, a fazenda é improdutiva e, por isso, as 150 pessoas, distribuídas em, aproximadamente, 60 famílias continuarão no local até a desapropriação da terra.
Por determinação da Secretaria de Estado da Segurança Pública, as investigações decorrentes de conflitos agrários serão acompanhadas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (COPE). Na terça-feira, a assessoria de comunicação da pasta informou que estuda-se a possibilidade de enviar uma equipe à região. Mas, por enquanto, não existe data para a reintegração de posse.
Em cumprimento à Medida Provisória 2.183, de 24 de agosto de 2001, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está impedido de vistoriar qualquer área ocupada. Uma desapropriação necessita de avaliações técnicas que, somente podem ocorrer, após dois anos de desocupação da área pleiteada. A excessão é o proprietário desistir da posse e vendê-la ao governo federal.


