Cornélio Procópio - Dois presos morreram e um ficou ferido durante uma rebelião na cadeia pública de Cornélio Procópio na tarde do último domingo. Segundo o delegado-adjunto da Polícia Civil, Alysson Henrique de Souza, os detentos quebraram as camas de concreto e atearam fogo nos colchões depois de serem avisados de que a visita de ontem seria adiada para a próxima quinta-feira, em decorrência do feriado do Dia do Trabalho.
  O tumulto teria começado por volta das 16 horas, quando cerca de 60 presos começaram a quebrar tudo o que havia dentro de uma das celas do andar superior da cadeia usando nada além dos pés e mãos. Segundo o cabo Ivo de Souza, do 18º Batalhão da Polícia Militar, cinco policiais entraram na cela para transferir os presos para o pátio externo e conter o tumulto.‘‘Quarenta presos já estavam fora da cela quando o restante iniciou a queima dos colchões’’, lembra. De acordo com o cabo, o Corpo de Bombeiros foi acionado logo em seguida para conter o incêndio. A rebelião só foi controlada cerca de três horas depois.
  De acordo com o delegado Alysson de Souza, os corpos dos detentos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina ainda na noite de domingo. O laudo da perícia apontou asfixia como causa da morte. ‘‘Um preso acabou ferido levemente por uma bala anti-motim durante a confusão, mas foi medicado e já retornou à cadeia’’, informou Souza.
  O cadeião municipal tem capacidade para 45 presos e abriga hoje 90 detentos, mas, segundo o delegado, não está superlotado. ‘‘O prédio, apesar de antigo, teve seu andar superior reformado recentemente para abrigar mais presos’’, disse. Para o delegado, tumultos como esse são comuns no local. ‘‘Semana passada houve uma tentativa frustrada de fuga. Os presos abriram um buraco no andar inferior, mas não conseguiram escapar. Tivemos que realocá-los para o piso superior para consertar o buraco e agora, como a cela superior foi destruída pela rebelião de domingo, eles estão dormindo no pátio externo’’, disse. Esta foi a sétima tentativa de fuga dos presos da cadeia pública de Cornélio Procópio em apenas um mês.
  Ainda de acordo com o delegado, um inquérito para apurar os homicídios e descobrir quem teria iniciado o motim já foi instaurado pela Polícia Civil. Os danos materiais ainda estão sendo avaliados pela perícia. ‘‘Somente após a conclusão dos laudos é que iremos decidir se manteremos os presos na parte inferior ou superior da cadeia’’, declarou o delegado, assinalando que a polícia tem sobras de colchões para atender os detentos.

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