Dois presos morreram e seis ficaram feridos numa rebelião ontem de madrugada no 7º Distrito Policial, na Vila Hauer, em Curitiba. As celas abrigavam 99 presos, número três vezes maior do que a capacidade. Ainda ontem pela manhã, 15 detentos, considerados os mais perigosos, foram transferidos para outros distritos. Não houve fugas.

O investigador Airton Ribeiro disse que a confusão começou no início da madrugada. Na tentativa de organizar uma fuga em massa, detentos das dez celas da galeria A, munidos de estoques (facas improvisadas), estouraram alguns cadeados. No momento, havia três policiais de plantão.

''Quando um dos presos (Valdinei da Silva Cassemiro) resistiu à rebelião e tentou impedir que o cadeado da sua cela fosse arrombado, acabou sendo morto por estocadas'', contou o investigador. Pouco mais tarde, o detento Claudinel Pereira, condenado a 35 anos de prisão por homicídio e latrocínio, que havia matado o outro preso, também foi morto dentro da cela. ''Ainda não sabemos quem o matou'', disse o investigador.

Por volta das 3 horas, o Corpo de Bombeiros foi acionado e precisou jogar jatos de água nas celas para conter a situação. A Polícia Militar também esteve no local e bombas de efeito moral foram jogadas no corredor que dá acesso às celas.

Durante a confusão, ficaram feridos os detentos Odacílio Martins de Oliveira Jr., Valdecir de Araújo Mota, Wagner Kocevicz, Edson do Nascimento, Luciano da Silva Totti e Moisés Schimitz de Oliveira. Eles foram encaminhados para o Hospital do Trabalhador e o posto de saúde da região. Todos passam bem e já retornaram ao 7º DP.

No início da manhã, os líderes da rebelião foram transferidos. Entre eles estão alguns considerados perigosos, como Michel Pasa, encaminhado para o 3º DP, e Marilo Brito, conduzido ao 9º DP. Outros 13 detentos foram transferidos para o 8º e 12º distritos.

Devido à superlotação, três meses atrás houve uma grande rebelião no 7º DP, na qual 12 internos fugiram e oito ainda não foram recapturados. O investigador comentou que a situação é insustentável e que o local já chegou a abrigar ao mesmo tempo 117 presos. ''Temos apenas 16 celas e cada uma deveria comportar dois ou no máximo três homens'', explicou.

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