Emerson Cervi
De Curitiba
Oito presos estrangeiros na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, continuam em greve de fome. Eles querem ser extraditados para concluir as penas em seus países de origem. Na noite de sexta-feira havia dez prisioneiros dispostos a entrar na greve. Depois de uma reunião com o secretário da Justiça, José Tavares, dois deles desistiram do movimento. Entre os grevistas há três paraguaios, um argentino, dois colombianos, um boliviano e um liberiano. Todos condenados por tráfico de drogas.
Ontem, eles foram isolados dos outros detentos. A direção do presídio providenciou água mineral e acompanhamento médico para os grevistas. Não há previsão para o fim da greve de fome. O secretário José Tavares vai segunda-feira a Brasília para tratar, no Ministério da Justiça, da extradição dos presos estrangeiros. Ele pediu um prazo para negociar a extradição deles com o governo federal. ‘‘Os maiores empecilhos são os tratados de extradição entre os países, por isso teremos que fazer um trabalho político’’, disse o secretário.
A comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção do Paraná, está acompanhando a reivindicação dos detentos. Existem 61 presos estrangeiros cumprindo pena no Estado. São 51 homens e 10 mulheres. Para José Tavares, o ideal seria extraditar todos eles, o que abriria vagas no sistema penitenciário do Paraná. Na PCE são 22 estrangeiros. A Secretaria de Justiça conseguiu a garantia de transferência de cinco presas de outros países da Penitenciária Feminina do Estado para o presídio de Corumbá (MS). Depois disso, elas serão transferidas para seus países de origem.
O líder da greve de fome na PCE, o argentino Enrique Agustin Pirotti, é um exemplo dos problemas jurídicos para a transferência de presos a seus países de origem. O tratado entre Brasil e Argentina só permite a extradição em casos onde o apenado já cumpriu toda a punição. Pirotti ainda tem oito meses de prisão.

mockup