Dois policiais são suspeitos de extorsão
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Policiais civis e promotores de justiça protagonizaram uma perseguição cinematográfica, no final da manhã de ontem, em Londrina. O episódio teve direito a carros na contramão, avanço sobre calçadas, tiros e altíssima velocidade na região central. Eles estavam na busca do investigador do 6º Distrito Policial, Wilson de Oliveira, e o operador de telecomunicação, também do 6º DP, Israel Henrique de Lima, que teriam sido flagrados extorquindo R$ 700,00 de um microempresário da cidade. A identificação dos policiais suspeitos foi confirmada pelo delegado-adjunto da 10 Subdivisão da Polícia Civil, Jorge Barbosa.
Segundo Alan Henrique Flore, delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), a dupla apreendeu equipamentos de informática e uma televisão no estabelecimento da vítima, no dia 30 de dezembro, sob a alegação de irregularidade. Para devolver a mercadoria, eles exigiram R$ 700,00 que seriam pagos, ontem de manhã, em um posto de gasolina na saída para Curitiba. A polícia tomou conhecimento da extorsão, no último dia 8, através da vítima que, desde então, mantém a PIC informada.
A perseguição começou porque os policiais desobedeceram a ordem de parada e apontaram suas armas para os promotores. Na opinião do delegado Jorge Barbosa, ambos se excederam. De acordo com o promotor da PIC, Jorge Fernando Barreto da Costa, cerca de R$ 300,00 foram recuperados depois que os policiais jogaram as notas pelas janelas algumas foram picadas ou engolidas por eles durante a fuga.
A ousadia foi tanta, que os policiais usavam um gol de quatro portas de uso exclusivo da 10 SDP. Depois de uma série de peripécias, Oliveira e Lima escaparam. Até o início da noite de ontem eles ainda não haviam sido detidos. A vítima e o carro foram deixados em locais diferentes e recolhidos, mais tarde, por outros policiais. De acordo com Barbosa, eles telefonaram para dizer que são inocentes e se entregarão hoje à PIC.
Além do processo administrativo, eles responderão pelo crime de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos) cuja pena varia entre dois e oito anos de reclusão. Segundo Barbosa, Israel responde a outros processos, mas não soube precisar qual a acusação. A Delegacia Geral da Polícia Civil e a Corregedoria já foram informadas do fato e o afastamento de ambos é considerado certo. Caso não se apresentem hoje, serão considerados foragidos com prisão preventiva decretada.


