A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (GERCO), de Curitiba, prenderam ontem em Cianorte (80 quilômetros a leste de Umuarama) dois policiais acusados de integrar uma quadrilha de receptação e desmanche de carros roubados. O cabo da Polícia Militar, Eduardo Luiz Borges de Carvalho, e o policial civil Osmar Donizete Munin foram presos junto com a mulher do dono da Transportadora Transmariana, Luz Marina Zain Vieira. A empresa teve 11 caminhões e camionetes apreendidos quinta-feira passada para perícia. O dono da empresa, Carlos Alexandre Manfrinato, está desaparecido.
Com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a PIC e o GERCO levantaram informações sobre a quadrilha. Há suspeita de envolvimento de várias oficinas mecânicas, despachantes e mais policiais no esquema. Seis pessoas tiveram as prisões preventivas decretadas e várias outras continuam sendo investigadas. Ontem, a promotoria fez uma busca e apreensão em duas oficinas mecânicas, um despachante, na casa dos dois policiais e de outros suspeitos.
Segundo o promotor Joelson Pereira, foram apreendidos peças na Oficina do Carlinhos, na PR-323. Telefones celulares, computadores, documentos, notas, agendas e outros papéis também foram recolhidos na empresa Transmariana, no Despachante Paraná e nas casas dos envolvidos. Os documentos do despachante estão sendo analisados pelo Detran. A suspeita é de que eram usados para ‘‘esquentar’’ carros roubados.
O cabo Borges fazia parte da P2, o serviço de inteligência da PM que também estava investigando a quadrilha. No dia da apreensão dos veículos na Transmariana, Borges ligou para Munin na delegacia, alertou que a PM preparava algo e pediu que avisasse outras pessoas. O promotor acredita que os donos da Transmariana foram avisados da busca e apreensão. ‘‘Quando chegamos a empresa estava fechada e havia apenas dois funcionários.’’
Segundo Joelson Pereira, a transportadora funcionava apenas como fachada para o desmanche e remontagem de veículos roubados, cujos documentos eram esquentados por despachantes. Alguns veículos apreendidos têm peças roubadas e vários caminhões estão montados em chassi de ônibus, sem a documentação necessária.

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