O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, afastou os detetives Vidal Antônio Fontão e Luis Claudio Xavier, denunciados por truculência e arbitrariedade contra o trabalhador Jair Fernandes da Silva. Os dois policiais foram ontem colocados à disposição do Departamento da Polícia do Interior em Curitiba e deverão responder inquérito administrativo e policial. Há possibilidade de expulsão da Polícia Civil. O caso também envolve o patrão de Jair, Armando Alfieri, dono da empresa Eletro Condoluz, que fica na avenida Arthur Thomas, jardim Bandeirantes (zona oeste).
A arbitariedade e a truculência dos policiais aconteceram em 25 de junho: Jair foi detido quando trabalhava. Segundo as denúncias do trabalhador, os dois policiais ameaçaram prendê-lo sob a acusação de furto de dinheiro na empresa. Para se livrar da denúncia - teriam dito os policiais - ele precisaria dar R$ 10 mil ao patrão. Jair da Silva chegou a ser levado à 10ª SDP, onde teria sofrido várias ameaças - inclusive de agressão física. Em seu depoimento, Jair diz também que ficou desesperado, pois não teve sequer o direito de telefonar para seu advogado. Como não tinha o dinheiro, teve que entregar o carro Uno, ano 97, e passar os documentos do carro para o nome do patrão. Ele também teria sido obrigado a assinar uma confissão de que realmente havia furtado dinheiro da Eletro Condoluz.
Jair conta que seus desespero somente terminou no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio. Lá, um advogado não permitiu que a rescisão do contrato de trabalho fosse homologada. Houve inclusive discussão do advogado com os policiais e o patrão, que também estavam no Sindicato. O delegado Leonyl Ribeiro disse que o envolvimento dos policiais é muito grave, pois estavam fora de suas funções de policiais. Os policiais e o empresário Armando Alfieri não foram encontrados para dar suas versões sobre o caso.

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