Com dois passes, o comerciário ou funcionário público de Maringá pode almoçar no centro da cidade. Assim, dispensa a necessidade de tomar um ônibus para casa e depois outro para retornar. O almoço é um cachorro-quente, com duas salsichas, alface, tomate e purê de batatas, além do molho. O lanche custa R$ 1,00. O dono do carrinho de cachorro-quente é quem mais lucra com o mercado paralelo de passes.
O ambulante, na verdade, recebe R$ 1,30 (o valor dos dois passes) por um lanche que custa R$ 1,00. Depois, revende os passes por R$ 0,60 cada. Em Maringá, o passe custa R$ 0,65.
É o caso de Ivan Fernandes da Paz, 34, que há cinco anos vende cachorro-quente na esquina das avenidas Getúlio Vargas com Brasil, no centro da cidade. Ele troca 50 lanches diários por passes do transporte coletivo. ‘‘Para mim, é uma moeda tão forte quanto o real. Tem dias que recebo mais passes do que real. E para vender é muito fácil. Toda hora passa gente aqui querendo comprar um passe, que eu vendo R$ 0,05 mais barato’’.
Do outro lado da rua, Maria das Dores da Silva, 68 anos, faz concorrência com Ivan. ‘‘Vendo com passe geralmente para mulheres com crianças de colo e também para funcionários públicos e comerciários. Eu não lucro muito porque revendo o passe pelo mesmo preço, R$ 0,50. Acho que as pessoas usam o passe para comprar comida porque não existe dinheiro na praça’’.
A personalização dos passes pela prefeitura não deverá reduzir a compra de lanches com passe de ônibus. A prefeitura é a única entidade que decidiu personalizar o sistema.

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